<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-35210217</atom:id><lastBuildDate>Wed, 18 Nov 2009 19:17:53 +0000</lastBuildDate><title>Recanto das Sombras</title><description>&lt;center&gt;O Blog da Irmandade das Sombras&lt;/center&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/</link><managingEditor>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>131</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-1368193459833677482</guid><pubDate>Mon, 29 Jun 2009 21:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-29T14:28:14.538-07:00</atom:updated><title>Em Stand By por Tempo Inderteminado</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Devido a inumeras condições decidi, enquanto mantenedor principal, parar as postagens no blog por tempo inderteminado para reformulações.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Peço a colaboração dos outros autores para que não postem nada por enquanto.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Aos visitantes, o blog segue vivo, então sejam bem vindos sempre&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Abraços!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-1368193459833677482?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/06/em-stand-by-por-tempo-inderteminado.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-5180664870589521415</guid><pubDate>Wed, 17 Jun 2009 23:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-17T16:36:30.726-07:00</atom:updated><title>"I Concurso Literário Contos Grotescos"</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/Sjl97Y_rkgI/AAAAAAAAAGo/_uJMlaoqgao/s1600-h/The-Dark-Book.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348444491754476034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/Sjl97Y_rkgI/AAAAAAAAAGo/_uJMlaoqgao/s320/The-Dark-Book.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O site Contos Grotescos (&lt;a href="http://www.contsodeterror.com.br/"&gt;http://www.contsodeterror.com.br/&lt;/a&gt;) está promovendo o “I Concurso Literário ‘Contos Grotescos’ – Prêmio Edgar Allan Pöe”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O concurso é dedicado a escolher obras de Terror, Horror, Suspense e afins inéditas para a elaboração de um antologia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Inscrição é GRATUITA e há prêmios para os primeiros colocados&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais informações no link abaixo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.contosdeterror.com.br/concurso"&gt;http://www.contosdeterror.com.br/concurso&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sorte aos participantes!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-5180664870589521415?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/06/i-concurso-literario-contos-grotescos.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/Sjl97Y_rkgI/AAAAAAAAAGo/_uJMlaoqgao/s72-c/The-Dark-Book.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-8985824332999054110</guid><pubDate>Sat, 13 Jun 2009 19:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-13T12:33:42.460-07:00</atom:updated><title>O Retrato Oval</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SjP_CBtkrSI/AAAAAAAAAUo/19pGgGTxKiM/s1600-h/21976925_Franz_von_Stuck.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346897592903314722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SjP_CBtkrSI/AAAAAAAAAUo/19pGgGTxKiM/s320/21976925_Franz_von_Stuck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Conto clássico do mestre Poe (e um dos meus favoritos)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por Edgar Allan Poe&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O castelo em que o meu criado se tinha empenhado em entrar pela força, de preferência a deixar-me passar a noite ao relento, gravemente ferido como estava, era um desses edifícios com um misto de soturnidade e de grandeza que durante tanto tempo se ergueram nos Apeninos, não menos na realidade do que na imaginação da senhora Radcliffe. Tudo dava a entender que tinha sido abandonado recentemente. Instalamo-nos num dos compartimentos mais pequenos e menos suntuosamente mobiliados, situado num remoto torreão do edifício. A decoração era rica, porém estragada e vetusta. Das paredes pendiam colgaduras e diversos e multiformes troféus heráldicos, misturados com um desusado número de pinturas modernas, muito alegres, em molduras de ricos arabescos doirados. Por esses quadros que pendiam das paredes - não só nas suas superfícies principais como nos muitos recessos que a arquitetura bizarra tornara necessários - , por esses quadros, digo, senti despertar grande interesse, possivelmente por virtude do meu delírio incipiente; de modo que ordenei a Pedro que fechasse os maciços postigos do quarto, pois que já era noite; que acendesse os bicos de um alto candelabro que estava à cabeceira da minha cama e que corresse de par em par as cortinas franjadas de veludo preto que envolviam o leito. Quis que se fizesse tudo isto de modo a que me fosse possível, se não adormecesse, ter a alternativa de contemplar esses quadros e ler um pequeno volume que acháramos sobre a almofada e que os descrevia e criticava.Por muito, muito tempo estive a ler, e solene e devotamente os contemplei. Rápidas e magníficas, as horas voavam, e a meia-noite chegou. A posição do candelabro desagradava-me, e estendendo a mão com dificuldade para não perturbar o meu criado que dormia, coloquei-o de modo a que a luz incidisse mais em cheio sobre o livro. Mas o movimento produziu um efeito completamente inesperado. A luz das numerosas velas (pois eram muitas) incidia agora num recanto do quarto que até então estivera mergulhado em profunda obscuridade por uma das colunas da cama. E assim foi que pude ver, vivamente iluminado, um retrato que passava despercebido. Era o retrato de uma jovem que começava a ser mulher. Olhei precipitadamente para a pintura e ato contínuo fechei os olhos. A principio, eu próprio ignorava por que o fizera. Mas enquanto as minhas pálpebras assim permaneceram fechadas, revi em espírito a razão por que as fechara. Foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar - para me certificar que a vista não me enganava -, para acalmar e dominar a minha fantasia e conseguir uma observação mais calma e objetiva. Em poucos momentos voltei a contemplar fixamente a pintura. Que agora via certo, não podia nem queria duvidar, pois que a primeira incidência da luz das velas sobre a tela parecera dissipar a sonolenta letargia que se apoderara dos meus sentidos, colocando-me de novo na vida desperta. O retrato, disse-o já, era de uma jovem. Apenas se representavam a cabeça e os ombros, pintados à maneira daquilo que tecnicamente se designa por vinheta - muito no estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o peito, e inclusivamente as pontas dos cabelos radiosos, diluíam-se imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que constituía o fundo. A moldura era oval, ricamente doirada e filigranada em arabescos. Como obra de arte, nada podia ser mais admirável que o retrato em si. Mas não pode ter sido nem a execução da obra nem a beleza imortal do rosto o que tão subitamente e com tal veemência me comoveu. Tão-pouco é possível que a minha fantasia, sacudida da sua meia sonolência, tenha tomado aquela cabeça pela de uma pessoa viva. Compreendi imediatamente que as particularidades do desenho, do vinhetado e da moldura devem ter dissipado por completo uma tal idéia - devem ter evitado inclusivamente qualquer distração momentânea. Meditando profundamente nestes pontos, permaneci, talvez uma hora, meio deitado, meio reclinado, de olhar fito no retrato. Por fim, satisfeito por ter encontrado o verdadeiro segredo do seu efeito, deitei-me de costas na cama. Tinha encontrado o feitiço do quadro na sua expressão de absoluta semelhança com a vida, a qual, a princípio, me espantou e finalmente me subverteu e intimidou. Com profundo e reverente temor, voltei a colocar o candelabro na sua posição anterior. Posta assim fora da vista a causa da minha profunda agitação, esquadrinhei ansiosamente o livro que tratava daqueles quadros e das suas respectivas histórias. Procurando o número que designava o retrato oval, pude ler as vagas e singulares palavras que se seguem: «Era uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre. E maldita foi a hora em que viu, amou e casou com o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, tendo já na Arte a sua esposa. Ela, uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre, toda luz e sorrisos, e vivaz como uma jovem corça; amando e acarinhando a todas as coisas; apenas odiando a Arte que era a sua rival; temendo apenas a paleta e os pincéis e outros enfadonhos instrumentos que a privavam da presença do seu amado. Era pois coisa terrível para aquela senhora ouvir o pintor falar do seu desejo de retratar a sua jovem esposa. Mas ela era humilde e obediente e posou docilmente durante muitas semanas na sombria e alta câmara da torre, onde a luz apenas do alto incidia sobre a pálida tela. E o pintor apegou-se à sua obra que progredia hora após hora, dia após dia. E era um homem apaixonado, veemente e caprichoso, que se perdia em divagações, de modo que não via que a luz que tão sinistramente se derramava naquela torre solitária emurchecia a saúde e o ânimo da sua esposa, que se consumia aos olhos de todos menos aos dele. E ela continuava a sorrir, sorria sempre, sem um queixume, porque via que o pintor (que gozava de grande nomeada) tirava do seu trabalho um fervoroso e ardente prazer e se empenhava dia e noite em pintá-la, a ela que tanto o amava e que dia a dia mais desalentada e mais fraca ia ficando. E, verdade seja dita, aqueles que contemplaram o retrato falaram da sua semelhança com palavras ardentes, como de um poderosa maravilha, - prova não só do talento do pintor como do seu profundo amor por aquela que tão maravilhosamente pintara. Mas por fim, à medida que o trabalho se aproximava da sua conclusão, ninguém mais foi autorizado na torre, porque o pintor enlouquecera com o ardor do seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o rosto da esposa. E não via que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces daquela que posava junto a ele. E quando haviam passado muitas semanas e pouco já restava por fazer, salvo uma pincelada na boca e um retoque nos olhos, o espírito da senhora vacilou como a chama de uma lanterna. Assente a pincelada e feito o retoque, por um momento o pintor ficou extasiado perante a obra que completara; mas de seguida, enquanto ainda a estava contemplando, começou a tremer e pôs-se muito pálido, e apavorado, gritando em voz alta 'Isto é na verdade a própria vida!', voltou-se de repente para contemplar a sua amada: - estava morta!»&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-8985824332999054110?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/06/o-retrato-oval.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SjP_CBtkrSI/AAAAAAAAAUo/19pGgGTxKiM/s72-c/21976925_Franz_von_Stuck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-108353260646747463</guid><pubDate>Sun, 31 May 2009 19:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-31T13:01:29.492-07:00</atom:updated><title>Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SiLhumHS9UI/AAAAAAAAAT4/XrcV6a8d9F0/s1600-h/Cranio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342080298636211522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 232px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SiLhumHS9UI/AAAAAAAAAT4/XrcV6a8d9F0/s320/Cranio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Uma das minhas poesias preferidas do mestre Byron (que eu não lembro se já postei nesse blog rs - se postei vale a pena postar de novo rs).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por Lord Byron&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vê em mim um crânio, o único que existe&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo aquilo que flui jamais é triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que renuncie e terra aos ossos meus&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lábios mais repugnantes do que os teus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para ajudar os outros brilhe agora e;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Substituto haverá mais nobre que o vinho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se o nosso cérebro já se perdeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já tiverdes partido, uma outra gente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Possa te redimir da terra que abraçar-te,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E festeje com o morto e a própria rima tente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E por que não? Se as fontes geram tal tristeza&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Através da existência -curto dia-,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Redimidas dos vermes e da argila&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao menos possam ter alguma serventia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-108353260646747463?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/05/versos-inscritos-numa-taca-feita-de-um.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SiLhumHS9UI/AAAAAAAAAT4/XrcV6a8d9F0/s72-c/Cranio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-3763167282153128388</guid><pubDate>Sun, 17 May 2009 18:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-17T11:57:25.554-07:00</atom:updated><title>A Fortuna Maldita</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/ShBeCVQun2I/AAAAAAAAAQg/rcvD2GZmPr0/s1600-h/Fire_Eye%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336868952594095970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/ShBeCVQun2I/AAAAAAAAAQg/rcvD2GZmPr0/s320/Fire_Eye%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por Linx&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;— Puta que pariu!&lt;br /&gt;O grito ecoou por toda aquele velho quarto. Por mais que R. suspeitasse que houvesse realmente algo de valor dentro daquele casarão abandonado, não podia crer que era tanto. E menos ainda podia crer que havia conseguido achar.&lt;br /&gt;Muito se falava a respeito da fortuna que o velho B. havia escondido em algum lugar do seu casarão, mas eram poucos os com coragem de entrar ali (diziam que a casa era amaldiçoada) e os intrépidos caçadores de tesouros que se arriscavam a entrar por mais que vasculhassem a casa toda, ninguém jamais havia encontrado uma pista, mas agora ele o encontrara, o baú, cheio de jóias e barras de ouro.&lt;br /&gt;— Estou rico!&lt;br /&gt;Ele gritava e coxeava pelo aposento com uma criança. Estava em êxtase.&lt;br /&gt;— Deve ter uma fortuna aqui! Disse ele tirando um punhado das jóias do baú. tenho que tira-lo daqui&lt;br /&gt;R. pegou em uma das argolas laterais do baú e se pôs a arrasta-lo para fora. Ninguém havia vindo com ele e como não pensava agora em dividir aquele ouro, acharia um jeito de leva-lo até sua caminhonete estacionada na frente do casarão, coloca-lo na caçamba e leva-lo até sua casa, onde de lá realizaria os tramiteis legais.&lt;br /&gt;— O que é isso?&lt;br /&gt;R. parou no meio do caminho e viu algo que lhe chamou a atenção; um livro velho, em cima de um móvel. Decidiu recolhe-lo antes de ir embora e pondo num dos seus bolsos&lt;br /&gt;Apesar de sua perna direita não ajudar muito (uma pedra havia caído em cima dela a uns três anos - e ele esperava uma prótese até hoje), ele conseguiu quase levando seus músculos a estafe, colocar o ouro na caçamba de seu carro.&lt;br /&gt;— Estou rico, estou rico! R. falava baixinho e ria sem parar. Adeus vida de pobre pé rapado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Senhor, seu uísque.&lt;br /&gt;— Sim, agora volte pro seu trabalho&lt;br /&gt;— Sim senhor. Disse ele abaixando a cabeça&lt;br /&gt;— Ande lesma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam se passado cerca de um ano e agora R. não era mais aquela caçador de tesouros manco, mas sim um dos homens mais ricos de todo pais e famosos do pais.&lt;br /&gt;Logo após sua descoberta a noticia logo se espalhou pela região e em pouco tempo pelo pais todo e suas extravagâncias logo começaram a virar capa de revistas e jornais.&lt;br /&gt;Suas primeiras providencias foram corrigir algumas marcas que a vida havia lhe deixado, se submetendo por varias cirurgias plásticas. Além disso colocou próteses feitas do ouro que ele havia encontrado no seu fêmur e radio (radio que ele quebrou ao tentar tirar o baú de cima de seu carro), e trocou todos seus dentes já apodrecidos por próteses em ouro.&lt;br /&gt;A casa onde ele achou o baú foi inteiramente reconstruída, passando por cima até mesmo do patrimônio nacional que havia tombado aquela casa, sendo acrescentada um grande garagem inclusive que ele encheu de carros importados.&lt;br /&gt;Além de sua gastança desenfreada com essa casa, carros, jóias entre outros ele também era conhecido por armar escândalos; brigas embebedado, grandes orgias com atrizes do mundo pornográfico e rachas com seus carros – em um ou dois deles resultado em morte de pessoas inocentes – obviamente encobertas).&lt;br /&gt;Seu temperamento que já era arrogante, se tornou insuportável e por isso ele vivia praticamente sozinho naquela mansão, a não ser pelos seus inúmeros empregados (muitas delas obrigadas a satisfazer seus desejos sórdidos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Já arrumou meu quarto e meu banho?&lt;br /&gt;— O senhor já vai se deitar?&lt;br /&gt;— E o que você tem haver com isso seu imbecil&lt;br /&gt;— Nada senhor&lt;br /&gt;— Então ande, arrume tudo lá sua lesma. Ou quer ser despedido?&lt;br /&gt;— Não senhor. Já estou indo&lt;br /&gt;— Vai suma. E rápido que quando eu chegar lá quero tudo pronto&lt;br /&gt;— Sim senhor&lt;br /&gt;— Cambada de inúteis!&lt;br /&gt;R. se levantou com dificuldade e foi até seu aposento. Tentou ir o mais rápido possível, para tentar pegar tudo ainda por terminar, mas ao chegar nos seus aposentos seu empregado já lhe esperava com a porta aberta&lt;br /&gt;— Pronto senhor. Mais alguma coisa?&lt;br /&gt;— Não suma logo seu imbecil&lt;br /&gt;— Sim senhor&lt;br /&gt;O emprego então esperou R. entrar e fechou a porta, seguindo pelo corredor até seu quarto proferindo em voz baixa diversos palavrões. R. enquanto isso acabava de tomar seu banho e já estava indo se deitar.&lt;br /&gt;Aquela noite estava quente e isso fez R. acordar no meio da noite, já sem sono. Ficou deitado um tempo, mas não conseguia pregar o olho. Decidiu fazer algo para passar o tempo e ver se o sono chegava. Ligou a televisão, mas nela nada parecia lhe interessar, desligando ela logo em seguida.&lt;br /&gt;Deitou-se de lado e viu em cima de seu criado-mudo aquele velho livro que ele havia achado junto com sua fortuna.&lt;br /&gt;Ele nunca havia se interessado em sequer abrir aquele livro depois de ter sua fortuna nas mãos, mas como aquela noite parecia não passar decidiu abri-lo e ver do que se tratava.&lt;br /&gt;Lendo um pouco do conteúdo, viu que não se tratava de um livro, mas sim de um diário, o diário do velho B.&lt;br /&gt;Nele o velho contava muitas historias e contava como havia feito sua fortuna, passando por cima de muitos a matando diversas pessoas. Quanto mais ele lia, mais ele via o porque de tanta gente temer aquela casa, pois a cada pagina a historia daquele velho senhor parecia piorar e ele parecia cada vez mais doentio.&lt;br /&gt;Ao chegar na ultima pagina ele se deparou com um relato desesperado:&lt;br /&gt;“Não agüento mais, isso já está ficando insuportável. Eles agora estão em todas as partes a toda hora. Vejo hoje que o que fiz foi algo imperdoável e que essa maldição nunca vai ter fim. Escrevo aqui e peço a pessoa que encontrar meus rabiscos que não façam uso nem sequer de um vintém de minha fortuna pois nela está contida a maldição que me condenou e que eu criei com meus infames atos covardes pelo qual adquire toda essas jóias e dobrões de ouro...”&lt;br /&gt;A relato terminava ai, mas pela caligrafia no fim da frase. Podia-se presumir claramente que ele continuaria a escrever, mas não conseguiu.&lt;br /&gt;— Velho caduco. Disse R. sorrindo. Já devia estar maluco esse porra.&lt;br /&gt;R. ficou um tempo rindo sozinho, mas logo o sono veio e ele adormeceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que?&lt;br /&gt;R. acordou assustado com um barulho de porta rangendo. Ao abrir os olhos reparou que sua porta estava aberta e uma luz vinha do corredor. Tateou o chão em busca de seu chinelo e decidiu ver o que acontecia, pois ele tinha certeza que havia apagado todas as luzes e fechado a porta, já que seu sono só vinha com todas as luzes apagadas.&lt;br /&gt;— Deve ter sido um daqueles empregados inúteis. Bando de idiotas!&lt;br /&gt;Ao sair do seu quarto e olhar seu extenso corredor viu algo no fundo dele que parecia ser uma criança.&lt;br /&gt;— Hei quem é você? Espere, volte!&lt;br /&gt;A criança correu em direção a escada descendo ela rapidamente. R. a seguiu correndo o máximo que podia. Desceu as escadas rapidamente e viu a criança olhando para o lado de fora em frente a porta principal aberta. Ao ver que ele havia chegado ela aponta para fora. R. vai em sua direção temeroso e para ao seu lado.&lt;br /&gt;— Meu Deus!&lt;br /&gt;Por um breve momento seu corpo ficou paralisado e suas pernas tremeram. Do lado de fora de sua casa estavam depostos centenas de corpos de pessoas, todas aparentemente mutiladas, pois seus braços, pernas e vísceras estavam espalhados por todos os lugares.&lt;br /&gt;— O que é isso?&lt;br /&gt;— Foi seu ouro que fez. Disse a criança olhando para ele.&lt;br /&gt;— Não! Não! Eu não fiz nada!&lt;br /&gt;— Seu ouro nos matou...&lt;br /&gt;Ao pronunciar essas palavras o pescoço da criança começou a se abrir e derramar uma imensa quantidade de sangue vermelho vivo&lt;br /&gt;— Veja o que seu dinheiro fez. Disse ela com uma voz como de alguém que se afoga. Veja!&lt;br /&gt;— Não!&lt;br /&gt;— Esse dinheiro é maldito e te levara com ele ao inferno&lt;br /&gt;— Não!&lt;br /&gt;O grito acompanhou o brusco acordar dele.&lt;br /&gt;— Foi só um sonho. Foi só um sonho. Deus que susto&lt;br /&gt;Um sorriso amarelo brotou de seus lábios. Mas por mais que ele acreditasse que aquilo apenas tinha sido um sonho, fruto da leitura do relato apavorante do diário de B., no fundo sabia que havia algo de errado. Decidiu que não pensaria nisso aquele dia; precisava de uma massagem e um bom uísque só isso.&lt;br /&gt;Tateou então o chão em busca de seu chinelo e o calçou antes de se levantar e ir até o banheiro tomar uma bom banho de hidromassagem.&lt;br /&gt;Após seu longo banho, pôs um belo terno e segui de carro até uma casa de massagem. Pensou que podia passar o dia lá e só voltar pra sua casa para dormir, pois hoje aquela casa lhe parecia um tanto assustadora.&lt;br /&gt;Por mais que tivesse num de seus lugares favoritos, cercado por mulheres lindas, aquele sonho lhe perturbava muito. Algo lhe dizia que aquilo tinha um fundo de realidade, mas não seria um sonho idiota que o faria desistir de sua boa vida; “se o velho fez a fortuna matando pessoas, o problema foi dele, eu só quero saber de curtir minha grana.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Senhor pode me dar um trocado? Disse um velho senhor cutucando o vidro de seu carro importado na frente de sua casa&lt;br /&gt;— Não tenho e vai trabalhar seu vagabundo&lt;br /&gt;— Não posso senhor, eu perdi uma perna&lt;br /&gt;— E o que eu tenho a ver com isso seu vagabundo?&lt;br /&gt;— Porque foi seu dinheiro que fez isso!&lt;br /&gt;A fisionomia do senhor mudou de uma profunda tristeza para o profundo ódio, adquirindo um olhar extremamente diabólico&lt;br /&gt;— Seu doente! Maluco! Sai daqui&lt;br /&gt;— Eu quero o que me pertence!&lt;br /&gt;— Filho de uma puta!&lt;br /&gt;O carro de R. acelerou o mais rápido que podia até sua garagem. Fechou a porta desesperado e subiu ao hall correndo.&lt;br /&gt;— Preciso de um uísque.&lt;br /&gt;— Eu quero o que é meu!&lt;br /&gt;— Não!&lt;br /&gt;R. olhou para o lado e lá estava aquele senhor, mas agora acompanhado de outros vinte homens, todos sem pernas ou braços, sujos de terra e sangue, com farrapos rasgados. Na frente deles aquele menino de ontem.&lt;br /&gt;— Você virou um sujeito arrogante e enriqueceu em cima de nossas vidas. Agora viemos buscar nosso ouro que você nos roubou&lt;br /&gt;— Vocês são só um sonho! Não existem&lt;br /&gt;— Me de o que me pertence!&lt;br /&gt;Os homens quase que pularam de seus lugares em direção a R. que tentou fugir subindo as escadas. No fim dela quando ele se virou em direção ao corredor que dava ao seu quarto viu todos aqueles homens parados ali, um monte deles para cada lado. Eles avançaram em cima dele o cercando por todos os lados&lt;br /&gt;— Nos dê o que ele roubou!&lt;br /&gt;— Não... não!&lt;br /&gt;Um deles enfiou a mão no antebraço de R. e abriu ele com suas unhas. R. gritou o mais alto que podia. Outros dois também levaram a mão aquele braço,competindo entre eles.&lt;br /&gt;— Parem!&lt;br /&gt;— Queremos o que é nosso!&lt;br /&gt;Outros dois começaram a forçar a boca de R. até expô-la completamente e começaram e tentar rançar seus dentes com suas unhas. R. tentava se mexer, mas era contido por eles e por mais que tentasse gritar ou morder eles seguravam sua boca com muita força. Agora lagrimas já cobriam todo seus rosto e escorria muito sangue de sua boca.&lt;br /&gt;— Ah!&lt;br /&gt;O grito mal saiu; outros cinco tentavam abrir sua perna a mordidas e unhadas. Dilaceravam a carne, tentando expor aquele osso de ouro, o arrancando logo em seguida. Sua boca mal continha dentes, pois a maioria já havia sido arrancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Senhor!&lt;br /&gt;O mordomo deu um grito alto e apavorado ao ver seu patrão deitado no chão em cima de uma poça de sangue. Sua boca estava aberta e dela vazava uma enorme quantidade de sangue, assim como um de seus antebraços e pernas totalmente mutilados.&lt;br /&gt;Após esse incidente a casa foi queimada em meio a um abaixo assinado da população local e o terreno coberto com sal. Até hoje ao se passar ali em frente pode-se ver aquele enorme terreno carbonizado e muitos afirmam que a noite ainda se ouvem gritos desesperados de dor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-3763167282153128388?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/05/fortuna-maldita.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/ShBeCVQun2I/AAAAAAAAAQg/rcvD2GZmPr0/s72-c/Fire_Eye%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-7988842227985434929</guid><pubDate>Sun, 17 May 2009 14:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-17T07:43:12.120-07:00</atom:updated><title>Coleção de dedos</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XZFrTDS2BXo/SChwVfPCYmI/AAAAAAAAAFw/WeHrPe1diMQ/s320/Dedo+cortado.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XZFrTDS2BXo/SChwVfPCYmI/AAAAAAAAAFw/WeHrPe1diMQ/s320/Dedo%2Bcortado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era fim de tarde,o sol não aparecera o dia inteiro e agora uma chuva fina caia esfriando a cidade.As pessoas se acotovelavam nas ruas,lotavam os onibus,congestionavam o trânsito com seus carros,era a fuga de todo final de dia com cada um querendo chegar o mais depressa em sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Andavam como animais que pressentem os perigos da noite,se aglomeravam em busca de proteção.Perto da entrada para o metrô a confusão era ainda maior,a massa compacta de pessoas tentava descer as escadas sem se desgrudar,todos correndo,todos com receio de tudo.Em meio aos adultos cansados um grupo de crianças em idade escolar também seguia.Eram cinco,com suas mochilas coloridas cheias de personagens de desenho animado,seus rostinhos inocentes mostravam sorrisos não tão inocentes,todas entre 6 e 8 anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A chuva começou a piorar,agora eram gotas grossas e contínuas que caiam.A multidão farejava o predador,em meio ao ruido de buzinas,conversas e celulares um grito.Um mulher caiu de joelhos no meio da massa,segurava a mão que sangrava profusamente,dois homens pararam para ajuda-la e então se horrorizaram,onde antes haviam cinco belos dedos agora só restavam quatro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A multidão se comprimiu mais,um homem gritou e se abaixou,ouviu-se uma risada infantil.O cheiro de sangue misturava-se ao de chuva,as pessoas olhavam ao redor procurando o agressor,o predador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais um grito e outra pessoa abaixada,outro dedo decepado,as mochilas coloridas se movimentavam rápido e a massa agora corria assustada descendo as escadas em alta velocidade.Pessoas que caiam eram pisoteadas,outras eram chutadas e rolavam as escadas coalhadas de gente.As risadas infantis eram altas,mas não tão altas que não desse pra ouvir as sirenes e foi ai que tudo parou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As mochilas sumiram na multidão,os policiais só encontraram vítimas...Mais tarde atrás de uma lixeira num beco qualquer as cinco crianças olhavam seus troféus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A garotinha loira estendeu o belo dedo de mulher onde se via um anel ensanguentado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu peguei o mais bonito... - Ela dizia satisfeita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um garoto negro exibiu as mãos cheias de dedos decepados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas eu peguei mais que todo mundo... - Ele ria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Parem de rir e guardem nossos brinquedos,mamãe me bate se eu me atraso para o jantar... - Disse um garoto que parecia ser o lider tirando um tijolo da parede proxima e escondendo sua cota de dedos ali.Os outros o imitaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então está combinado...Amanhã vamos ao terminal de ônibus e vocês vão ver como é bem mais dificil cortar orelhas... - Falou uma garota oriental rindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos riram,um sorriso nem tão inocente...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-7988842227985434929?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/05/colecao-de-dedos.html</link><author>noreply@blogger.com (Hell)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_XZFrTDS2BXo/SChwVfPCYmI/AAAAAAAAAFw/WeHrPe1diMQ/s72-c/Dedo%2Bcortado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-3526247572440931367</guid><pubDate>Fri, 01 May 2009 22:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-01T15:43:26.633-07:00</atom:updated><title>Obsessão</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/Sft66zfhQNI/AAAAAAAAAPY/g0rrkviZiuo/s1600-h/1170456652_sata_gustave_dore.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330989734596526290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 305px; CURSOR: hand; HEIGHT: 290px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/Sft66zfhQNI/AAAAAAAAAPY/g0rrkviZiuo/s320/1170456652_sata_gustave_dore.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma Poesia sombria do mestre Baudelaire&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Grandes bosques, de vós, como das catedrais,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Sinto pavor; uivais como órgãos; e em meu peito,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Câmara ardente onde retumbam velhos ais,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;De vossos De profundis ouço o eco perfeito.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Te odeio, oceano! Teus espasmos e tumultos,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Em si minha alma os tem; e este sorriso amargo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Do homem vencido, imerso em lágrimas e insultos,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Também os ouço quando o mar gargalha ao largo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Me agradarias tanto, ó noite, sem estrelas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Cuja linguagem é por todos tão falada!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O que procuro é a escuridão, o nu, o nada!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mas eis que as trevas afinal são como telas,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Onde, jorrando de meus olhos aos milhares,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Vejo a e olharem mortas faces familiares.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-3526247572440931367?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/05/obsessao.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/Sft66zfhQNI/AAAAAAAAAPY/g0rrkviZiuo/s72-c/1170456652_sata_gustave_dore.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6636682652379316804</guid><pubDate>Thu, 30 Apr 2009 00:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-29T18:21:36.539-07:00</atom:updated><title>O jeito é matar</title><description>&lt;a href="http://img211.imageshack.us/img211/2871/comporta03.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img211.imageshack.us/img211/2871/comporta03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Ela sorriu e ele também.Era tão bonito,tudo era tão bonito...Aquela pequena padaria de esquina,a mesa verde de ferro fundido,as florezinhas azuis pintadas na xicara dela,a maneira que ela segurava a xicara,era quase...Poético...&lt;br /&gt; Ele olhava totalmente absorvido nela,sabia que estava com cara de idiota mas naquele momento,sinceramente...Não lhe importava.&lt;br /&gt;  Ela queria o mundo e ele queria somente a ela.Ela era a flor,ele os espinhos.Queria estar em todos os lugares,a todo tempo,em todas as conversas,vendo-a,tocando-a,respirando o ar dela.E ela a suspirar,a passar as mãos pelos cabelos longos,aqueles aneis ruivos...Cor de sangue...De sangue.&lt;br /&gt;  Ele notou então que a queria demais...Se anulava por ela,se feria por ela,se dividia por ela e por ela sumia.Viu tarde demais que abandonara a faculdade,assim como seu emprego promissor,abandonara os amigos,a familia...Enfim tudo.Mergulhara nela e a deixara ser ele.Percebeu que as paredes de seu quarto eram forradas de fotos dela,percebeu no meio de suas roupas uma mecha do cabelo dela cortada sabe Deus quando...Tinha até um lencinho dela,meio manchadinho do sangue dela no dia que a xicara de florezinhas azuis quebrara...Quando fora isso?&lt;br /&gt;  Ela queria o mundo...Ele queria não querê-la mais...Mas agora era tarde,ela era a vida e só acabaria quando a vida deixasse de existir.Viu sua saída,sua luz no fim do túnel...Matá-la,sim matá-la,porque apenas matando-a ele voltaria a existir,ele poderia viver de novo de luto pelo amor,odiando o amor,desistindo do amor e sendo feliz.FELIZ!!&lt;br /&gt;  Em um acesso de alegria ele rasgou as fotos das paredes,queimou a mecha do cabelo dela,se jogou no chão em meio a confusão e riu...Riu a tarde toda.&lt;br /&gt;  Deu um jeito de copiar a chave da casa dela,tinha anotado em uma agenda toda a rotina dela,sabia de cada um de seus passos,cada um de seus horários...Foi simples seguir seu plano...&lt;br /&gt;  Ele entrou pelas 6:00 da tarde,na vizinhança ninguém o estranhou,estavam acostumados a vê-lo com ela.Acharam normal...&lt;br /&gt;  Dentro da casa ele ligou o som,colocou cd's que ambos gostavam,abriu as cortinas,arrumou o que ela deixara bagunçado,fez o capuccino que ela tanto tomava na padaria de esquina.Sentou no sofá e esperou...Ela que não chegava...Se atrasara 10 minutos...Não faria diferença...Morreria do mesmo jeito...&lt;br /&gt;  O mal foi a curiosidade...Nunca estivera no quarto dela...Queria tanto tanto....Tentou se conter e não pode,abriu a porta cor de creme e entrou.Quase morreu de infarto.&lt;br /&gt;  As paredes eram forradas com fotos dele,fotos do dia dele.Ele no banho,ele dormindo,ele estudando,ele tomando café na cozinha pequena do seu apartamento,ele tirando fotos dela,ele no carro,ele parado numa rua...Ele,ele,ele...&lt;br /&gt;  Ele olhava o quarto todo sem entender,parecia tão irreal...Olhou o chão e viu mais fotos,viu também as cartas que ele escrevia mas nunca mandava e que pensava ter jogado no lixo.Viu a letra miuda dela espalhada em suas fotos,dizia a mesma coisa "te amo".Cem,mil,um milhão de vezes repetida.Ele se apoiou na parede arfando...Aquilo era loucura...Loucura...Sentiu medo e desmaiou com uma pancada na cabeça.&lt;br /&gt;  Acordou preso a cama,ela estava ao seu lado,o rosto manchado de lágrimas,o cabelo em desordem.&lt;br /&gt;- Você não podia ter visto...Eu tentei...Tentei que você não soubesse... - Ela dizia andando pelo quarto,arrancando as fotos e jogando no chão.Tirou do armário uma camisa dele e cheirou,beijou,passou-a pelo corpo. - É que eu te amo tanto tanto...Mas preciso viver entende?Por favor,você precisa entender!Eu não vivo mais!&lt;br /&gt;  Ela jogou a camisa no chão e começou a jogar alcool em tudo,estava insana,repetia que precisava viver.Ele compreendia e também chorava...Sabia o que iria acontecer...Ele mesmo planejara...Ele fora pego em sua propria armadilha...Não ia adiantar nada pedir e nem implorar por sua vida,ele sabia o que ela sentia,sabia que ela não iria parar...Porque ele também não pararia.&lt;br /&gt;- Vai doer,mas vai passar...E ai estaremos livres...Ta?Eu te amo... - Ela sussurrou no ouvido dele e depois o beijou na boca.&lt;br /&gt;  Saiu do quarto jogando um fosforo aceso no chão,ela ainda viu as primeiras labaredas.Mas o inferno quem presenciou foi ele...Sentiu o fogo lhe consumir a carne,lhe arrancar a pele...Viu todo seu corpo se encher de bolhas,se sentiu sufocar pela fumaça.&lt;br /&gt;  Morreu em extrema agonia sabendo que agora ela queria o mundo...E ele não estaria lá para impedir...O amor não passava...O amor não passava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Isso não é amor, é uma perseguição...Você vai onde eu vou,até na contramão..."&lt;/em&gt; 2ois&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6636682652379316804?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/o-jeito-e-matar.html</link><author>noreply@blogger.com (Hell)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-5415620864881135215</guid><pubDate>Sun, 26 Apr 2009 21:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-26T14:59:03.933-07:00</atom:updated><title>Begotten</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfTZHt_MnEI/AAAAAAAAAOo/P5rLk8SSI0c/s1600-h/begotten.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 217px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfTZHt_MnEI/AAAAAAAAAOo/P5rLk8SSI0c/s320/begotten.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329122985713114178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Por Linx&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma epifania da criação"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Começo a postar hoje aqui no blog resenhas de assuntos interessantes a arte sombria (e comunico aos outros autores que fiquem a vontade para postar também)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Begotten (Estados Unidos da América, 1991, Direção: E. Elias Merhige) é um filme que podemos considerar sem rótulo (alias minto, um rótulo cabe muito bem a ele: Sombrio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Epifania da Criação como li em um site, um experimento sombrio, um filme para poucos, acho que podemos defini-lo assim. Presico dizer que é um filme dificil de entender, que não tem nada a ver com as produções Hollywoodinas e que provavelmente se você tiver a mente fechada você não vai gostar? O que me leva a um dificil dilema; descreve-lo. Bem tentarei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, apesar de ter sido feito em 1991 é em preto e branco, alias melhor que isso, pois as imagens são taõ envelhecidas que dá a impressão de se assistir o filme mais antigo do mundo (alias a proposta do diretor é que o filme parecesse como algo tão antigo quanto a criação). Não há diálogos e os poucos sons que se houvem não passam de ruídos. Por esse meio o diretor desenrrola uma série de cenas chocantes, dando pouco fio de história ao expectador, ficando nós, meras testemunhas, a merce de sua sombriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, o filme inspira e te faz repensar a vida de uma forma que você não é mais o mesmo após assistir e é muito dificil você esquece-lo e não ficar com ele na cabeça durante um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que tal um pouco da história? Deus está numa cabana se mutilando e após sua morte uma mulher surge. Essa é a Mãe Natureza, que debraçada sobre Deus masturba seu cadáver e com seu esperma se fecunda dando origem a um ser fraco e raquitico que fica vulnerável a uma horda de seres sem face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou com vontade? Pois bem o que espera! rs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ai fica minha dica. Caso você seja um bitolado em filmes americanos que precisam te contar a história com todos os detalhes para você entender algo, fica maravilhado com Slasher que esgotam até a última gota sua franquia e clichês imbecis, esqueça esse artigo. Caso você tenha a mente aberta e tenha a vontade de ver algo novo, pois bem esse filme é para você. Se você é iniciado no gênero e ainda não viu, bem o que está esperando!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-5415620864881135215?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/begotten.html</link><author>noreply@blogger.com (.)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfTZHt_MnEI/AAAAAAAAAOo/P5rLk8SSI0c/s72-c/begotten.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-3340773394999254610</guid><pubDate>Sun, 26 Apr 2009 01:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-26T12:56:07.844-07:00</atom:updated><title>Garota Perfeita</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfS8SX1kVoI/AAAAAAAAAOY/XE5jk0F87-Y/s1600-h/p20059-blood-girl-mobile-wallpaper.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfS8SX1kVoI/AAAAAAAAAOY/XE5jk0F87-Y/s320/p20059-blood-girl-mobile-wallpaper.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329091282908501634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Hell&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como se ela não fosse vista, as pessoas passavam por ela e lhe sorriam mas na verdade não a enxergavam. Dia após dia ela via as pessoas passarem, lhe olharem como um bicho em exposição.&lt;br /&gt;Algo devia estar errado, por que não era lhe permitido sentir? Por que não lhe era permitido pensar por si? Por que não lhe era permitido sentir o que todos sentem quando estão vivos?&lt;br /&gt;Suas mãos tocaram o vidro da vitrine, algo tinha que estar errado. Ela bateu uma vez, ninguém lhe deu atenção, continuaram a passar como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;Ela bateu de novo, com um pouco mais de força,ainda assim nada... Tentou gritar mas desistiu quando lembrou que os vidros eram a prova de som. Deitada em sua cama macia de cetim vermelho ela chorou, ela queria apenas sair, ela queria apenas viver... Não entendia por que isso lhe era negado.&lt;br /&gt;Novo dia, mesma rotina. Uma menina passou pela vitrine e lhe olhou fixamente, ela tentou sorrir, ser simpática, talvez a menina lhe tirasse dali. Não, a mãe acabou por levar a menina embora. Ela sentou no chão e em um acesso de raiva destruiu alguns objetos de sua prisão.&lt;br /&gt;Ela não tinha família, não tinha amigos, por que? Ela era igual aos outros que passavam la fora, mas não vivia como eles.&lt;br /&gt;Um dia um homem entrou em sua vitrine, ele trazia um cartaz vermelho na mão. Ela avançou sobre ele tentando perguntar por que estava ali, por que não podia viver, por que e por que... Ele recuou com medo, ela o prendeu, tentou lhe falar mas sua voz não saia. Por que? Por que? Ele não parava quieto, ela teve que segura-lo um pouco mais forte, só queria explicações, respostas a tantos por quês.&lt;br /&gt;Ele agora começava a arranha-la, seu olhar tinha um desespero que ela não entendia, olhou para suas mãos, elas estavam cobertas de um liquido vermelho, o que era aquilo? Era tão bonito, tão brilhante... Ela tentou perguntar ao homem o que era mas ele tinha dormido, ela lhe deu alguns tapas esperando que ele acordasse mas apenas sujou o rosto dele de vermelho... Tão bonito...&lt;br /&gt;Ela começou a abrir mais o buraco que lhe havia feito no peito, ali dentro mais e mais vermelho. Quente, lindo, vibrante. Ela esfregou o vermelho pelo corpo e magicamente as pessoas pararam para olha-la. As pessoas agora a olhavam com interesse.&lt;br /&gt;Sim, finalmente era notada. Ela sorriu passando mais do vermelho mágico pelo corpo, caminhou até a vitrine, as pessoas se afastaram com uma expressão que ela não entendeu.&lt;br /&gt;Ela tentou faze-los voltar, mas eles se afastaram mais. Ela arrebentou o vidro correndo atrás deles, precisava ser notada, precisava.&lt;br /&gt;Derrubou uma mulher no chão, a pegou pelos cabelos e lhe abraçou forte. Aos poucos o crânio duro foi ficando macio, ela sentiu seus braços molhados. A cabeça da mulher era uma mera massa disforme, ela foi atrás das outras pessoas.&lt;br /&gt;Atenção, só precisava de atenção, e aquele liquido vermelho lhe proporcionava isso, precisava de mais, muito mais.&lt;br /&gt;Na vitrine o vento virou o cartaz vermelho que dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Boneca Cynthya, todo amor ao seu alcance”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-3340773394999254610?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/garota-perfeita.html</link><author>noreply@blogger.com (Hell)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GDnNVjJ0a6k/SfS8SX1kVoI/AAAAAAAAAOY/XE5jk0F87-Y/s72-c/p20059-blood-girl-mobile-wallpaper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-7251000739686842613</guid><pubDate>Fri, 17 Apr 2009 23:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-17T17:08:22.594-07:00</atom:updated><title>O Escolhido</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SekZpAZK-OI/AAAAAAAAAGY/JxcWMsJmLDM/s1600-h/damien_a_profecia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325816226613229794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 210px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SekZpAZK-OI/AAAAAAAAAGY/JxcWMsJmLDM/s320/damien_a_profecia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Estou meio sem material para postar por isso posto algo meu mesmo rs&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por Linx&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;“Quem tiver sabedoria que calcule o número da besta, pois é um numero de homem e seu numero e seiscentos e sessenta e seis”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Apocalipse de São João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Cinco minutos...&lt;br /&gt;L. olhava no relógio sem parar, estava extremamente ansioso. Suas pernas mal paravam no lugar e ele começava a suar.&lt;br /&gt;Seis meses, era o que ele havia esperado, seis longos meses para que ela aceitasse sair com ele, mas agora ele estava lá, com sua melhor roupa, segurando um CD que ela disse ser de sua banda favorita (que por sinal ele odiava - mas passou a tentar gostar) na frente daquele shopping a esperando.&lt;br /&gt;Seus olhos corriam todos os rostos que passavam, procurando o rosto de sua amada. Aquele rosto...&lt;br /&gt;Devia ser o rosto mais lindo que ele havia posto os olhos. Parecia de um anjo, esculpido pelas mãos do próprio Deus. Aquele rosto que fez ele se apaixonar perdidamente desde a primeira vez que o viu. Agora ele o procurava no meio da multidão, já meio que desesperado pois via em seu relógio que ela devia estar ali já faziam dez minutos.&lt;br /&gt;— Ela deve ter desistido... não! Pare de ser pessimista! Ela virá. Afinal coisas acontecem, ônibus quebram, essas coisas...&lt;br /&gt;Mas algo no fundo dizia que ela não viria. Bem lá no fundo ele sabia que aquilo tinha sido uma idiotice, afinal porque ela viria? Porque ela iria se encontrar com ele? Tantos porque ela escolheria justamente ele?&lt;br /&gt;— Não passo de um idiota...&lt;br /&gt;Seus pensamentos otimistas logo começaram a sumir de vez quando ele se voltou ao relógio e viu que já passaram meia hora do combinado.&lt;br /&gt;— Melhor eu ir... não quero ficar aqui como idiota.&lt;br /&gt;L. se virou e seguiu a passos longos e olhos já quase cheios de lagrimas nos olhos a direção de sua casa.&lt;br /&gt;— L.!&lt;br /&gt;Seus olhos se voltaram a uma voz que gritou seu nome atrás dele. Seu coração quase que arrebentou seu esterno quando ele viu ela ali parada vestindo uma blusa rosa e uma calça jeans, com um lindo sorriso&lt;br /&gt;— Onde você vai?&lt;br /&gt;— Eu...&lt;br /&gt;— Tava indo embora? Ia me abandonar? Disse ela sorrindo&lt;br /&gt;— Não...eu só achei que...&lt;br /&gt;Ela correu de onde estava e seguiu em sua direção.&lt;br /&gt;— Desculpa o atraso. Disse ela coçando a cabeça. Eu me perdi!&lt;br /&gt;— Tudo bem. Disse ele limpando seu rosto&lt;br /&gt;— Então... Oi! Disse ela espontaneamente sorrindo&lt;br /&gt;— Oi. Disse ele esboçando um sorriso tímido&lt;br /&gt;— Bem, que tal irmos ao shopping. Aqui é chato&lt;br /&gt;— É...&lt;br /&gt;Suas mãos se encontraram. O coração dele batia acelerado, suas mãos suavam, era como um sonho. Ela olhava ao longe, como que procurasse alguma coisa, e nos seus lábios um sorriso quase que sarcástico começava a brotar.&lt;br /&gt;— Seu otário! Disse ele dando um soco em L.&lt;br /&gt;Todos a sua volta riam, inclusive D., a garota que ele tanto amava.&lt;br /&gt;— Achou realmente que a D. ia sair com você seu otário?&lt;br /&gt;Seus olhos se enchiam de lagrimas. Como ela pode?&lt;br /&gt;— Vamos ensinar ele H., vamos por esse idiota no lugar dele&lt;br /&gt;— É boa idéia. Disse um outro&lt;br /&gt;— Mas... D. começou a dizer algo. Não machuquem muito&lt;br /&gt;Todos deram uma longa gargalhada.&lt;br /&gt;— Não se preocupe. Disse um deles beijando D. Só uns socos nada mais&lt;br /&gt;— Ah tudo bem então. Disse ela sorrindo. Amorzinho é só brincadeirinha&lt;br /&gt;Os quatro chegaram mais perto de L. Um deles o empurrou o fazendo cair no chão, enquanto os outros começaram a chuta-lo&lt;br /&gt;— Parem pelo amor de Deus. Disse L. chorando&lt;br /&gt;— Ah ele começou a chorar. Disse um deles, despertando uma gargalhada geral&lt;br /&gt;— Ah amor não se preocupe, quando eles acabarem ele lhe dou seu tão sonhado beijinho. Disse D. que observava tudo&lt;br /&gt;— Não parem... por favor&lt;br /&gt;Os chutes voltaram, dessa vez com mais intensidade. L. chorava e gritava por piedade e com isso os garotos apenas aumentava a força do chute.&lt;br /&gt;— Cansei. Disse um deles.&lt;br /&gt;— Será que ele aprendeu onde é o lugar dele?&lt;br /&gt;— Vamos ver. Disse um deles levantando a cabeça de L. do chão. Aprendeu otário? Lugar de gente como você é ai, no chão, em baixo de nós.&lt;br /&gt;O garoto soltou sua cabeça e a deixou cair no chão com força.&lt;br /&gt;— Thau amorzinho. Disse ela dando-lhe um beijo no rosto&lt;br /&gt;— Vamos logo D.&lt;br /&gt;— Já vou. Thau. Disse ela baixo no seu ouvido&lt;br /&gt;— Me dá um beijo aqui gata&lt;br /&gt;“Vai agüentar isso também? Você sabe que pode fazer. Faça-o&lt;br /&gt;— Não...&lt;br /&gt;“Olhe eles indo. Olhe a menina que te fez isso. Olhe! Beijando o cara que te deixou ai esticado no chão. A menina que você dedicou tanto o seu amor, olhe ela ali. Vamos lá fora curtir um pouco...”&lt;br /&gt;— Cale-se!&lt;br /&gt;— Com quem ele ta falando. Disse um deles voltando seu olhar a L. esticado no chão&lt;br /&gt;— Deve ta xingando a gente né&lt;br /&gt;— Se for... vamos lá&lt;br /&gt;Os cinco começaram a voltar na direção de L., que começava a se levantar.&lt;br /&gt;“Eles estão vindo. Vai deixar eles fazerem aquilo tudo de novo?”&lt;br /&gt;Um sorriso leve brotou do rosto de L. Sua fisionomia começou a mudar, de um rosto sofrido a um rosto sádico&lt;br /&gt;— Você ta rindo?&lt;br /&gt;— Acho que aquilo foi só piada pra ele&lt;br /&gt;— Bem vamos mostrar então algo pra fazer ele chorar&lt;br /&gt;Um deles tentou empurrar L. mas suas mãos pararam na frente do peito de L.&lt;br /&gt;— Com mais força. Disse ele com uma voz grossa e fria&lt;br /&gt;Os três se afastaram e o que o empurrava parou na sua frente.&lt;br /&gt;— O que...&lt;br /&gt;— Conhecem o inferno?&lt;br /&gt;— O que ele tá falando? Disse D. já desesperada&lt;br /&gt;— Deve ter batido a cabeça demais. Sai da frente&lt;br /&gt;H. correu de onde estava e empurrou seu amigo para trás.&lt;br /&gt;— Vamos nós dois.&lt;br /&gt;— Nós dois? É muito pouco&lt;br /&gt;L. começou a proferir algumas palavras que H. não conseguia entender. O vento começou a soprar com força, enquanto alguns ruídos eram ouvidos de longe. Nas suas mãos e testas começavam a surgir algo que parecia ser fogo que logo sumiu deixando apenas os números 666 tatuados no lugar&lt;br /&gt;— O que é isso? Disse H. se afastando&lt;br /&gt;— Venham meus queridos&lt;br /&gt;Do meio da escuridão surgiram cerca de oito cães. Eram cachorros maiores do que o normal e não tinha pelos, apenas feridas por todo corpo. De suas bocas babavam algo que parecia ser sangue e nas suas patas algo que parecia barro seco.&lt;br /&gt;— Meu Deus!&lt;br /&gt;— Ataquem&lt;br /&gt;Todos correram desesperados. Os cães de onde estavam como que dando pulos saíram atrás de todos.&lt;br /&gt;— Deus! Me solta!&lt;br /&gt;Os cães comiam rapidamente aqueles garotos. Suas carnes eram dilaceradas pelos seus dentes afiados em meio a seus gritos de dor e desespero. O sangue jorrava por todo o chão. Mas D. ainda permanecia intacta, olhando tudo, imóvel deitada no chão&lt;br /&gt;— Queria apreciar bem de perto.&lt;br /&gt;— Quem é você?&lt;br /&gt;— Eu? Eu era. E você também&lt;br /&gt;L. fez um sinal fazendo com que os cães abandonassem suas carcaças já quase nos ossos e viessem ao lado de L.&lt;br /&gt;— Bem devagar...&lt;br /&gt;Os cães saíram do lado dele e começaram a morder o corpo de D.&lt;br /&gt;— Pare pelo amor de Deus. Disse ela gritando, com seu rosto já todo escorrido de lagrimas&lt;br /&gt;— Deus? Que Deus? Disse ele sorrindo&lt;br /&gt;— Não! Não! Não... seu corpo perdeu suas forças e a dor a fez desmaiar&lt;br /&gt;Os cães a mordiam com toda força arrancando agora pedaços de seu corpo. Um deles então levou até as mãos de L. sua cabeça&lt;br /&gt;— Realmente você era linda&lt;br /&gt;— Pelo jeito você aceitou seu destino. Disse um homem colocando a mão em seu ombro&lt;br /&gt;— Sim. Cansei de ver esses ai me humilhando. Disse ele chutando os pedaços dos corpos. Alias cansei de todos, acho que vou mandar mais uns hoje para você Lúcifer&lt;br /&gt;— Seria muito bom meu caro&lt;br /&gt;Os dois se viraram deixando aqueles cães terminarem de comer o resto de carne que ainda continham nos ossos. Agora que o escolhido havia entendido seu propósito na terra, eles tinham uma longa noite pela frente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PS 1: Caso você tenha alguma material e queria contribuir ao blog, ficarei feliz em postar. O blog ainda segue a filosofia da Irmandade e por isso é livre a postagem de material a todos (ou seja você manda, eu posto e o público julga - aqui não há senhores da verdade que julgam o que é bom ou não e espero que não existam nunca por aqui). Pra quebrar um galho, caso você tenha um endereço, eu faço um merchã básico e o deixo nos recomendados rs (pode mandar o link sem material que eu o deixo nos recomendados mesmo assim rs)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PS 2: O contador aparece para vocês ? rs. Acho que ele está com defeito rs&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PS 3: Obrigado a todos que passarão e que passarem no blog e em especial aos seguidores do blog&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;PS 4: O que vocês acham da proposta da Irmandade? (Sim penso em reabri-la um dia, só preciso de gente que abrace a causa)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-7251000739686842613?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/o-escolhido.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SekZpAZK-OI/AAAAAAAAAGY/JxcWMsJmLDM/s72-c/damien_a_profecia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-5939428611395385996</guid><pubDate>Sun, 12 Apr 2009 18:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-12T12:02:32.664-07:00</atom:updated><title>Reformulações</title><description>Cerca de dois anos e meio atrás um grupo de escritores de terror de um site de literatura da internet fundaram um grupo literário chamado Irmandade das Sombras, uma confrária literária que tinha a idéia de agregar escritores tidos como "sombrios". O espaço era livre, sem líderes ou qualquer tipo de hierarquia, todos eram bem vindos, desde que respeitassem o estilo e os outros membros e todos tinham voz e vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de oito dias depois esse espaço foi fundado com a idéia de ser um blog comum, tão livre quando nossa confraria, onde postariamos (e postamos sim!) material de todos ou que fosse de interesse comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os anos passaram e nosso idela foi se perdendo, se deturpando, até chegar no fim de nossa Irmandade. A maioria (alias acho que todos com excessão do que vos fala rs) não estava satisfeita com o a Irmandade do jeito que era, queriam algo além, algo mais "profissional". Houveram brigas, desentendimentos e enfim acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei um tempo fora do mundo virtual e fora do mundo literário, mas logo voltei e tentei novamente levantar a Irmandade, mas logo vi-me sem apoio e por algum tempo lutei, mas hoje venho aqui dizer que a Irmandade entra num Stand By sem previsão de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manterei o blog sim, postarei quando puder e estou de braços abertos a contribuições e dicas, pois querendo ou não esse espaço existe e é bem visitado, então não há motivo para sua destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também manterei meu sonho de uma confraria literária livre a todos, sem hierarquias ou disputas por poder, uma irmandade para todos como a Irmandade das Sombras sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, encerro por aqui e espero que aos que passem me entendam e caso queiram, meu contanto está no blog e enfim estamos ai rs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a todos que visitam o blog, aos seguidores (Átila, Filipinha, Mário e D., não conheço vocês, mas obrigado! rs) e a todos que pertenceram a Irmandade que por mais que esteja afastado ainda considero vocês grandes pessoas e escritores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linx&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-5939428611395385996?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/reformulacoes.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-8565186710759923082</guid><pubDate>Sat, 04 Apr 2009 20:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-04T13:57:02.492-07:00</atom:updated><title>Do Além</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfJhqRZjxI/AAAAAAAAAGM/x29gMj0xbDk/s1600-h/14985_2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320943064881663762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfJhqRZjxI/AAAAAAAAAGM/x29gMj0xbDk/s320/14985_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda na luta de manter o sonho da nossa Irmandade voltar a vida, tento ainda manter vivo o nosso blog. Hoje posto um conto do mestre Lovecraft, um dos meus favoritos e que inspirou um dos melhores Sci Fi de todos os tempos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por H. P. Lovecraft&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrível, para além de qualquer concepção, foi a mudança por que passou meu melhor&lt;br /&gt;amigo, Crawford Tillinghast. Eu não o vira desde aquele dia, dois meses e meio antes,&lt;br /&gt;quando ele me falou da meta em direção à qual suas pesquisas físicas e metafísicas se&lt;br /&gt;encaminhavam e quando respondeu à minha demonstração de espanto e medo expulsando-me de seu laboratório e de sua casa num estouro de raiva fanática. Eu sabia que ele agora passava a maior parte do tempo fechado em seu laboratório no sótão com aquela maldita máquina elétrica, comendo pouco e afastado até dos próprios criados, mas não pensara que um período tão breve de dez semanas pusesse alterar e desfigurar de tal maneira uma criatura humana. Não há prazer em ver um homem garboso tornar-se magro de repente, e é pior ainda quando a pele flácida começa a amarelar ou a acinzentar, os olhos fundos, esgazeados, brilhando de modo sobrenatural, a testa enrugada e coberta de veias, e as mãos trêmulas e contorcidas. E se, adicionado a isso, houver um desalinho repulsivo, uma desordem louca do vestir, moitas de cabelos escuros esbranquiçados na raiz, e uma sombra de barba não aparada sobre um queixo que sempre fora cuidadosamente barbeado, o efeito cumulativo será chocante. Mas esse era o&lt;br /&gt;aspecto de Crawford Tillinghast na noite em que sua mensagem pouco coerente me trouxe até sua porta depois de semanas de exílio. Tal era o espectro que tremia enquanto me fazia entrar, uma vela na mão, a olhar furtivamente por sobre o ombro, como se receoso de coisas invisíveis na casa antiga e solitária, situada ao fundo da Benevolent Street.&lt;br /&gt;Para Crawford Tillinghast, ter um dia estudado ciência ou filosofia fora um erro. São&lt;br /&gt;coisas que deveriam ser deixadas para o investigador impessoal e frio, pois oferecem duas alternativas igualmente trágicas ao homem de sentimento e ação: desespero, se fracassa em sua busca, e terrores indizíveis e inimagináveis, se obtém sucesso. Tillinghast fora presa uma vez do fracasso, da reclusão e da melancolia; mas agora eu sabia, entre receios repelentes de minha parte, que ele era presa do sucesso. De fato, eu o tinha alertado, duas semanas antes, quando aventou, num ímpeto, a história do que estava prestes a descobrir. Tornara-se vermelho e excitado, falando num tom de voz muito alto e antinatural, embora sempre pedante. “O que sabemos”, ele dissera, “sobre o mundo e o universo ao nosso redor? Nossos meios de receber impressões são absurdamente escassos, e nossas noções dos objetos que nos cercam são infinitamente estreitas. Vemos as coisas somente na medida em que somos construídos para vê-las e não podemos fazer idéia alguma de sua natureza absoluta. Com cinco débeis sentidos, queremos compreender o cosmos ilimitadamente complexo, enquanto outros seres, com uma gama de sentidos diferente, mais ampla ou mais possante, não apenas poderiam ver de modo diferente as coisas que vemos, como também ver e estudar mundos inteiros de matéria, energia e vida que jazem próximos de nós, mas que não podem ser detectados com os sentidos que temos.&lt;br /&gt;Sempre acreditei que tais mundos estranhos e inacessíveis existem colados aos nossos cotovelos, e agora creio que encontrei um modo de romper as barreiras. Não estou blefando. Dentro de vinte e quatro horas aquela máquina sobre a mesa gerará ondas que agirão sobre órgãos ignorados de sentidos que existem em nós como vestígios atrofiados ou rudimentares. Essas ondas abrirão para nós inúmeros panoramas desconhecidos do homem e muitos desconhecidos de qualquer coisa que consideramos como vida orgânica. Haveremos de ver aquilo para o qual os cachorros uivam na escuridão, aquilo para o qual os gatos levantam suas orelhas após a meia noite. Veremos essas coisas e outras coisas que nenhuma criatura que respira jamais viu. Vamos saltar sobre o tempo, o espaço e as dimensões e, sem mover nossos corpos, espiar o fundo dacriação.”&lt;br /&gt;Quando Tillinghast disse essas coisas, não disfarcei, pois conhecia-o bem o suficiente para ter muito mais receio do que admiração; mas ele era um fanático e expulsou-me da casa. Agora ele não era menos fanático, mas seu desejo de falar sobrepujara o ressentimento, e ele me escrevera num tom imperativo, com uma caligrafia quase ilegível. Quando penetrei na casa desse amigo tão subitamente metamorfoseado numa gárgula vacilante, infectou-me o terror que parecia espreitar em meio a todas as sombras. Era como se as palavras e crenças expressas dez semanas antes se encarnassem na escuridão que cercava o pequeno círculo de luz da vela, e&lt;br /&gt;senti-me mal diante da voz oca e alterada de meu anfitrião. Desejei que os criados estivessem por perto e não gostei quando ele disse que todos tinham deixado a casa havia três dias. Pereceu estranho que o velho Gregory, ao menos, pudesse desertar de seu senhor sem dizer isso a um amigo tão próximo como eu. Era ele que me dava toda a informação que tive sobre Tillinghast depois que, furioso, este me expulsou.&lt;br /&gt;No entanto, logo obriguei meus medos a se subordinarem à minha curiosidade e&lt;br /&gt;fascinação. O que é que Crawford Tillinghast queria de mim agora eu podia até conjeturar, mas de que ele tinha algum segredo ou descoberta estupenda para revelar, disso eu não duvidava.&lt;br /&gt;Antes eu protestara contra sua perquirição indiscreta do impensável, e agora que ele&lt;br /&gt;evidentemente tivera algum tipo de sucesso eu quase compartilhava seu espírito, por mais terrível que pudesse ser o custo da vitória. Seguindo a luz vacilante da vela que a mão daquela paródia trêmula de homem segurava, subi em direção à escuridão vazia da casa. A eletricidade parecia ter sido desligada, e quando perguntei ao meu guia ele disse que era por um motivo definido.&lt;br /&gt;“Seria demais… Eu não ousaria”, ele continuava a murmurar. Notei em especial esse seu&lt;br /&gt;novo hábito de murmurar, pois não era do seu feitio falar sozinho. Entramos no laboratório no sótão, e observei aquela detestável máquina elétrica a cintilar com uma luminosidade doentia, sinistra, violeta. Estava conectada a uma potente bateria química, mas não parecia receber corrente, pois eu me lembrava de que em seu estágio experimental ela tinha roncado e ciciado quando posta em ação. Em resposta à minha pergunta, Tillinghast sussurrou que esse brilho permanente não era elétrico em nenhum sentido que eu pudesse entender. Ele me fez sentar próximo à máquina, de modo que ela ficou à minha direita, e acionou um comutador que ficava por baixo de uma profusão de bulbos de vidro. Os estralejos usuais começaram, tornaram-se um gemido, e terminaram num rumor monótono e tão suave que dava impressão de retornarem ao silêncio. Entrementes a luminosidade aumentou, diminuiu, até assumir uma tonalidade pálida e inusitada ou uma mistura de cores que eu não poderia situar ou descrever. Tillinghast tinha estado a me observar, notando minha expressão de perplexidade.&lt;br /&gt;“Sabe o que é isso?”, murmurou, “Isso é ultravioleta”. E gargalhou ao ver a minha&lt;br /&gt;surpresa. “Pensou que o ultravioleta era invisível, e é – mas você pode vê-lo e a muitas outras coisas agora. Ouça-me! As ondas dessa coisa estão despertando em você mil sentidos adormecidos – sentidos que você herdou de éons de evolução, desde o estado dos elétrons errantes até o estado da humanidade orgânica. Eu vi a verdade, e pretendo mostrá-la a você. Faz idéia de como ela se parece? Vou dizê-lo a você.” Aqui, Tillinghast se sentou também, de frente para mim, segurando sua vela e olhando-me perversamente nos olhos. “Seus órgãos sensórios existentes – ouvidos primeiro, suponho – captarão muitas das impressões, pois estão intimamente conectados com os órgãos adormecidos. Então haverá outros. Já ouviu falar da glândula pineal? Rio-me dos ingênuos endocrinologistas, pretensiosos e comparsas iludidos dos freudianos. Essa glândula é o órgão sensório por excelência – eu o descobri. É como uma visão,&lt;br /&gt;afinal, e transmite imagens visuais ao cérebro. Se você é normal, esse será o modo como você obterá a maior parte... Refiro-me à maior parte da evidência do além.”&lt;br /&gt;Olhei em volta o imenso sótão com a parede alta ao sul, obscuramente iluminada por raios que os olhos cotidianos não poderiam ver. Os cantos mais distantes eram pura sombra, e o lugar inteiro mergulhava numa irrealidade nevoenta que obscurecia sua natureza e convidava a imaginação ao simbolismo e à fantasmagoria. Durante o longo intervalo em que Tillingthast permaneceu em silêncio, tive um devaneio de estar num incrível e vasto templo de deuses há muito desaparecidos, num edifício vago de inúmeras colunas de pedra negra que se elevavam de um piso de lajes úmidas até alturas de nuvens que ficavam para além da minha visão. A imagem me pareceu bastante vívida por algum tempo, mas gradualmente deu lugar a uma concepção mais horrível – aquela da solidão extrema e absoluta do espaço infinito, inescrutável e silencioso. Parecia haver um vazio e nada mais, e senti um medo infantil que me fez sacar do&lt;br /&gt;bolso junto ao peito um revólver que passei a carregar desde que fora assaltado em East Providence. Então, das mais distantes regiões do remoto, o som deslizou suavemente para dentro da existência. Era infinitamente débil, sutilmente vibrante, e inequivocamente musical, mas continha um não sei quê de indizivelmente selvagem que fazia com que o seu impacto parecesse uma tortura delicada de todo o meu corpo. Vieram-me sensações que eram como se alguém pisasse vidro moído no chão. Simultaneamente, desenvolveu-se alguma coisa como um sopro frio, que aparentemente passava por mim vindo do som distante. Enquanto, sem fôlego, aguardava, percebi que tanto o som quanto o vento estavam aumentando, o efeito assemelhandose ao de ter sido atado a um par de trilhos no caminho de uma gigantesca locomotiva que se&lt;br /&gt;aproximasse. Comecei a falar a Tillinghast e, quando o fiz, todas as impressões incomuns se desvaneceram abruptamente. Vi apenas o homem, as máquinas cintilantes e o cômodo penumbroso. Tillinghast ria de um jeito repulsivo para o revólver que eu sacara quase inconscientemente, mas pela sua impressão compreendi que ele tinha visto e ouvido tanto quanto eu, se não muito mais. Murmurei o que eu tinha experimentado, e ele me instruiu para que permanecesse o mais quieto e receptivo possível.&lt;br /&gt;“Não se mova”, advertiu, “pois nesses raios tanto podemos ver quanto ser vistos. Eu lhe disse que os servos foram embora, mas não lhe disse como. Foi aquela governanta de cabeça dura; ela acendeu as luzes no térreo depois que eu avisei para não fazer isso, e os arames captaram vibrações empáticas. Deve ter sido amedrontador – pude ouvir os gritos daqui de cima, a despeito de tudo o que via e ouvia vindo de outra direção, e mais tarde foi pavoroso encontraraqueles montes vazios de roupas por toda a casa. As roupas da senhora Updike estavampróximas do comutador de luz da sala – eis como eu soube que ela o fizera. Pegou-os a todos. Mas, desde que não nos movamos, estamos razoavelmente seguros. Lembre-se de que estamos lidando com um mundo medonho no qual somos praticamente indefesos... Fique quieto!” O choque combinado da revelação e da intimação abrupta deu-me um tipo de paralisia, e&lt;br /&gt;no terror minha mente se abriu de novo para as impressões que vinham do que Tillinghast chamou de “além”. Um vórtice de som e movimento me envolvia agora, imagens confusas surgindo diante de meus olhos. Eu via os contornos imprecisos do cômodo, mas de algum ponto do espaço parecia jorrar uma coluna fervilhante de formas irreconhecíveis ou de nuvens, penetrando no teto sólido num ponto adiante, à minha direita. Então vislumbrei o templo – como efeito novamente, mas desta vez os pilares subiam em direção a um oceano aéreo de luz, o qual despejava um raio de luz ofuscante por todo o caminho da coluna de nuvens que eu vira antes. Depois disso, a cena tornou-se quase inteiramente caleidoscópica, e na profusão de visões, sons e&lt;br /&gt;impressões sensoriais não identificadas, senti que estava prestes a me dissolver ou, de algum modo, a perder a forma sólida. De um determinado lance eu hei de me lembrar para sempre. Pareceu-me ter visto, por um instante, uma nesga de estranho céu noturno repleto de esferas cintilantes e rodopiantes, e quando desapareceu vi que os sóis brilhantes formavam uma constelação ou galáxia de forma definida, sendo essa forma o rosto distorcido de Crawford Tillinghast. Noutra ocasião, senti que as coisas imensas e animadas se arrastavam para além de mim e às vezes caminhavam ou vogavam através do meu corpo supostamente sólido, e pensei ter visto Tillinghast olhar para elas como se seus sentidos mais bem treinados pudessem captálas&lt;br /&gt;visualmente. Lembrei-me do que ele dissera acerca da glândula pineal e me perguntei o queele via com esse olho sobrenatural.&lt;br /&gt;De súbito, senti-me também possuído por uma espécie de visão aumentada. Por cima e ao&lt;br /&gt;longo do caos luminoso e sombrio se elevava uma imagem que, embora vaga, continha&lt;br /&gt;elementos de consistência e permanência. Era de fato algo familiar, pois a parte incomum estava superposta à cena comum e terrestre, tal como uma imagem de cinema se pode projetar sobre a cortina pintada de um teatro. Vi o laboratório do sótão, a máquina elétrica e a forma indistinta de Tillinghast em frente a mim, mas de todo o espaço não ocupado por objetos familiares sequer amenor porção estava vaga. Formas indescritíveis, vivas ou não, se misturavam numa desordem repulsiva, e perto de cada coisa conhecida havia mundos inteiros de entidades alienígenas e ignotas. Igualmente, parecia que todas as coisas conhecidas entravam na composição de outras&lt;br /&gt;coisas desconhecidas e vice-versa. Mais à frente, entre os objetos vivos, havia monstruosidades pretas, semelhantes a medusas, que estremeciam languidamente com as vibrações da máquina. Manifestavam-se numa profusão nauseante, e eu vi, para o meu horror, que se imbricavam, que eram semifluidas e capazes de passar através umas das outras e daquilo que conhecemos como sólidos. Essas coisas jamais paravam; antes: pareciam flutuar sempre com algum propósito maligno. Às vezes, davam mostras de devorar-se umas às outras, o atacante lançando-se sobre sua vítima e instantaneamente fazendo-a desaparecer de vista. Trêmulo, entendi o que tinha feito desaparecer os infelizes criados, e não podia expulsar a coisa de minha mente enquanto lutava para observar outras propriedades do mundo, há pouco tornado visível, que existe incógnito à nossa volta. Mas Tillinghast tinha estado a me observar e agora falava.&lt;br /&gt;“Você as vê? Você as vê? Vê as coisas que flutuam e se precipitam à sua volta a cada&lt;br /&gt;momento de sua vida? Vê as criaturas que formam o que os homens chamam de ar puro e de céu azul? Não tive sucesso em romper a barreira, não mostrei a você mundos que os outros homens jamais chegaram a ver?” Ouvi seu grito através do horrível caos e olhei para a face selvagem que tão ofensivamente se colava à minha. Seus olhos eram poços de chamas e me fitavam com aquilo que – logo entendi – era apenas o mais profundo ódio. A máquina ronronava de maneira horrorosa.&lt;br /&gt;“Pensa que essas coisas rastejantes arrebataram os criados? Tolo, são inofensivas! Mas os criados desapareceram, não é? Você tentou me impedir, você me desencorajou quando precisei de cada gota de incentivo que pudesse obter. Você teve medo da verdade cósmica, seu maldito covarde, mas agora eu o peguei! O que foi que levou os criados? O que os fez berrar tão alto?... Não sabe, hein? Logo, logo saberá. Olhe para mim – ouça o que eu digo. Supõe você que existem mesmo tais coisas como tempo e magnitude? Acredita mesmo que existem tais coisas como forma e matéria? Eu lhe digo, você atingiu profundidades que o seu pequeno cérebro não pode conceber. Vi para além das fronteiras do infinito e arrastei demônios das estrelas... Conduzi as sombras que perambulam de mundo para mundo para semear a morte e a loucura... O espaço me pertence, está me ouvindo? As coisas estão à minha caça agora – as coisas que devoram e dissolvem –, mas eu sei como ludibriá-las. É a você que elas pegarão, como fizeram com os criados... Está tremendo, caro senhor? Eu lhe disse que era perigoso mover-se, coloquei-o a salvo dizendo que se mantivesse quieto – salvei-o para ter mais visões e para me ouvir. Se você tivesse se movido, eles já teriam se atirado sobre você há muito tempo. Não se preocupe, não vão machucá-lo. Não machucaram os criados – foi apenas ver que os fez berrar daquele jeito. Meus bichinhos não são bonitos, pois vêm de lugares onde os padrões estéticos são... muito diferentes. Eu quase os vi, mas soube como parar. Você é curioso? Sempre soube que você não era um cientista. Tremendo, hein? Tremendo de ansiedade para ver as últimas coisas que descobri. Por que não se move, então? Cansado? Bem, não se preocupe, amigo, pois elas estão vindo… Olhe, olhe, amaldiçoado, olhe… Está bem em cima do seu ombro esquerdo.”&lt;br /&gt;O que falta contar é bem pouco, e vocês talvez já tenham sabido por meio dos jornais. A polícia ouviu um tiro na velha casa de Tillinghast e nos encontrou lá – Tillinghast morto, e eu, inconsciente. Prenderam-me, porque o revólver estava em minha mão, mas soltaram-me dentro de três horas, pois descobriram que foi a apoplexia que acabou com Tillinghast e viram que meu tiro tinha sido disparado contra a máquina perversa que agora jaz irremediavelmente destroçada no chão do laboratório. Não contei muito do que vi, pois temi que o coronel ficasse cético, mas, pela descrição evasiva que dei, o médico me disse que, sem dúvida, eu tinha sido hipnotizado pelo louco vingativo e homicida.&lt;br /&gt;Quem dera eu pudesse acreditar no médico. Seria bom para os meus nervos se eu pudesse&lt;br /&gt;pôr de lado o que agora tenho de pensar sobre o ar e o céu que me envolvem e que estão acima de mim. Nunca me sinto sozinho e confortável, e um senso horrível e arrepiante de perseguição às vezes me invade quando esmoreço. O que me impede de acreditar no médico é apenas este fato: que a polícia nunca encontrou os corpos dos criados que, segundo dizem, Crawford Tillinghast assassinou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-8565186710759923082?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/04/do-alem.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfJhqRZjxI/AAAAAAAAAGM/x29gMj0xbDk/s72-c/14985_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6938177835303887774</guid><pubDate>Sun, 15 Mar 2009 15:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-04T13:33:57.207-07:00</atom:updated><title>Sexto Soneto Sagrado</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfEKBSxrAI/AAAAAAAAAGE/wWIckrybizg/s1600-h/muerte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320937161186454530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 277px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfEKBSxrAI/AAAAAAAAAGE/wWIckrybizg/s320/muerte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Uma poesia sombria para quebrar o gelo da falta de postagens rs&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por John Donne&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tradução de Jorge de Sena&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não te orgulhes, ó Morte, embora te hão chamado&lt;br /&gt;poderosa e terrível, porque tal não és,&lt;br /&gt;já que quantos tu julgas ter pisado aos pés,&lt;br /&gt;não morrem, nem de ti eu posso ser tocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do sono e paz que sempre a teu retrato é dado,&lt;br /&gt;muito maior prazer se tira em teu revés,&lt;br /&gt;pois que o justo ao deitar-se com tua nudez,&lt;br /&gt;ossos te deita e não seu esprito libertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrava és de suicidas, e de Reis, da Sorte;&lt;br /&gt;Venenos, guerras, doenças são teus companheiros;&lt;br /&gt;magias nos dão sonos bem mais verdadeiros,&lt;br /&gt;melhores do que o teu golpe. Porque te inchas, Morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertamos no Eterno um breve adormecer,&lt;br /&gt;e a morte não será, que Morte hás-de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ah e fiquem no aguardo, a Irmandade das Sombras logo estará de volta!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6938177835303887774?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/03/sexto-soneto-sagrado.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SdfEKBSxrAI/AAAAAAAAAGE/wWIckrybizg/s72-c/muerte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6045367710377901380</guid><pubDate>Sat, 07 Mar 2009 23:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-07T15:16:29.463-08:00</atom:updated><title>O Coração Denunciador</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SbMAOdzYfDI/AAAAAAAAAF8/KnRu-7a2skA/s1600-h/connected-graphics_1068778a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310588634118257714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 229px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SbMAOdzYfDI/AAAAAAAAAF8/KnRu-7a2skA/s320/connected-graphics_1068778a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para começar essa nova fase do blog deixo a vocês um dos meus contos favoritos do mestre Edgar Allan Poe&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É verdade! Tenho sido e sou nervoso, muito nervoso, terrivelmente nervoso! Mas, por&lt;br /&gt;que ireis dizer que sou louco? A enfermidade me aguçou os sentidos, não os destruiu,&lt;br /&gt;não os entorpeceu. Era penetrante, acima de tudo, o sentido da audição. Eu ouvia todas&lt;br /&gt;as coisas, no céu e na terra. Muitas coisas do inferno ouvia. Como, então, sou louco?&lt;br /&gt;Prestai atenção! E observai quão lucidamente, quão calmamente vos posso contar toda a&lt;br /&gt;estória.&lt;br /&gt;É impossível dizer como a idéia me penetrou primeiro no cérebro. Uma vez concebida,&lt;br /&gt;porém, ela me perseguiu dia e noite. Não havia motivo. Não havia cólera. Eu gostava do&lt;br /&gt;velho. Ele nunca me fizera mal. Nunca me insultara. Eu não desejava seu ouro. Penso&lt;br /&gt;que era o olhar dele! Sim, era isso! Um de seus olhos se parecia com o de um abutre. . .&lt;br /&gt;um olho de cor azul-pálido, que sofria de catarata.&lt;br /&gt;Meu sangue se enregelava sempre que ele caía sobre assim, e assim, pouco a pouco, bem&lt;br /&gt;lentamente, fui-me decidindo a tirar a vida do velho e assim libertar-me daquele olho para&lt;br /&gt;sempre.&lt;br /&gt;Ora, aí é que está o problema. Imaginais que sou louco.&lt;br /&gt;Os loucos nada sabem. Deveríeis, porém, ter-me visto. Deveria ter visto como procedi&lt;br /&gt;cautamente! Com que prudência...com que previsão. . . com que dissimulação lancei&lt;br /&gt;mãos à obra!&lt;br /&gt;Eu nunca fora mais bondoso para com o velho do que durante a semana inteira antes de&lt;br /&gt;matá-lo. E todas as noites, por meia-noite, eu girava o trinco da porta de seu quarto e&lt;br /&gt;abria-a…oh, bem devagarinho. E depois, quando a abertura era suficiente para conter&lt;br /&gt;minha cabeça, eu introduzia uma lanterna com tampa toda velada, bem velada, de modo&lt;br /&gt;que nenhuma luz se projetasse para fora, e em seguida enfiava a cabeça. Oh, teríeis rido&lt;br /&gt;ao ver como a enfiava habilmente!&lt;br /&gt;Movia-a lentamente. . . muito… muito lentamente, a fim de não perturbar o sono do&lt;br /&gt;velho. Levava uma hora para colocar a cabeça inteira além da abertura, até podê-lo ver&lt;br /&gt;deitado na cama. Ah! Um louco seria precavido assim? E depois quando minha cabeça&lt;br /&gt;estava bem dentro do quarto, eu abria a tampa da lanterna cautelosamente. . - oh, bem&lt;br /&gt;cautelosamente! Sim, cautelosamente (porque a dobradiça rangia) . . . abria-a só até&lt;br /&gt;permitir que apenas um débil raio de luz caísse sobre o olho de abutre. E isto eu fiz&lt;br /&gt;durante sete longas noites. . . sempre precisamente a meia-noite. . . e sempre encontrei o&lt;br /&gt;olho fechado. Assim, era impossível fazer a minha tarefa, porque não era o velho que me&lt;br /&gt;perturbava, mas seu olho diabólico. E todas as manhãs, quando o dia raiava, eu&lt;br /&gt;penetrava atrevidamente no quarto e falava-lhe sem temor, chamando-o pelo nome com&lt;br /&gt;ternura e perguntando como havia passado a noite. Por aí vedes que ele precisaria ser um&lt;br /&gt;velho muito perspicaz para suspeitar que todas as noites, justamente as doze horas, eu&lt;br /&gt;o espreitava, enquanto dormia.&lt;br /&gt;Na oitava noite, fui mais cauteloso do que de hábito ao abrir a porta. O ponteiro dos&lt;br /&gt;minutos de um relógio mover-se-ia mais rapidamente do que meus dedos. Jamais, antes&lt;br /&gt;daquela noite, sentira eu tanto a extensão de meus próprios poderes, de minha&lt;br /&gt;sagacidade. Mal conseguia conter meus sentimentos de triunfo. Pensar que ali estava eu,&lt;br /&gt;a abrir a porta, pouco a pouco, e que ele nem sequer sonhava com os meus atos ou&lt;br /&gt;pensamentos secretos…Ri entre os dentes, a essa idéia, e talvez ele me tivesse ouvido,&lt;br /&gt;porque se moveu de súbito na cama, como se assustado. Pensais talvez que recuei? Não!&lt;br /&gt;O quarto dele estava escuro como piche, espesso de sombra, pois os postigos se achavam&lt;br /&gt;hermeticamente fechados, por medo aos ladrões. E eu sabia, assim, que ele não podia ver&lt;br /&gt;a abertura da porta; continuei a avançar, cada vez mais, cada vez mais.Já estava com a&lt;br /&gt;cabeça dentro do quarto e a ponto de abrir a lanterna, quando meu polegar deslizou sobre&lt;br /&gt;o fecho de lata e o velho saltou na cama, gritando:Quem está aí?&lt;br /&gt;Fiquei completamente silencioso e nada disse. Durante uma hora inteira, não movi um&lt;br /&gt;músculo e, por todo esse tempo, não o ouvi deitar-se de novo. Ele ainda estava sentado&lt;br /&gt;na cama, à escuta; justamente como eu fizera, noite após noite, ouvindo a ronda da morte&lt;br /&gt;próxima.&lt;br /&gt;Depois ouvi um leve gemido e notei que era o gemido do terror mortal. Não era um gemido&lt;br /&gt;de dor ou de pesar.. . oh, não! Era o som grave e sufocado que se ergue do fundo da alma&lt;br /&gt;quando sobrecarregada de medo. Bem conhecia esse som. Muitas noites, ao soar meianoite,&lt;br /&gt;quando o mundo inteiro dormia, ele irrompia de meu próprio peito, aguçando, com&lt;br /&gt;seu eco espantoso, os terrores que me aturdiam. Disse que bem o conhecia. Conheci&lt;br /&gt;também o que o velho sentia e tive pena dele, embora abafasse um riso no coração. Eu&lt;br /&gt;sabia que ele ficara acordado desde o primeiro leve rumor, quando se voltara na cama.&lt;br /&gt;Daí por diante, seus temores foram crescendo. Tentara imaginá-los sem motivo, mas não&lt;br /&gt;fora possível. Dissera si mesmo: "É só o vento na chaminé…ou é só um rato andando pelo&lt;br /&gt;chão", ou "foi apenas um grilo que cantou; um instante só. Sim ele estivera tentando&lt;br /&gt;animar-se com estas suposições, mas tudo fora em vão. Tudo em vão, porque a Morte,&lt;br /&gt;ao aproximar-se dele, projetara sua sombra negra para a frente, envolvendo nela a vítima.&lt;br /&gt;E era a influência tétrica dessa sombra não percebida que o levava a sentir - embora não&lt;br /&gt;visse nem ouvisse -, a sentir a presença de minha cabeça dentro do quarto.&lt;br /&gt;Depois de esperar longo tempo, com muita paciência, sem ouvi-lo deitar-se, resolvi abrir&lt;br /&gt;um pouco, muito, muito pouco, a tampa da lanterna. Abri-a - podeis imaginar quão&lt;br /&gt;furtivamente - até, que por fim, um raio de luz apenas, tênue como o fio de uma teia de&lt;br /&gt;aranha, passou pela fenda e caiu sobre o olho de abutre.&lt;br /&gt;Ele estava aberto. . . todo, plenamente aberto. . . e, ao contemplá-lo a minha fúria&lt;br /&gt;cresceu. Vi-o, com perfeita clareza, todo de um azul-desbotado, com uma horrível película&lt;br /&gt;a cobri-lo, o que me enregelava até a medula dos ossos. Mas não podia ver nada mais da&lt;br /&gt;face ou do corpo do velho, pois dirigira a luz, como por instinto, sobre o maldito lugar.&lt;br /&gt;Ora, não vos disse que apenas é super acuidade dos sentidos aquilo que erradamente&lt;br /&gt;julgais loucura? Repito, pois, que chegou a meus ouvidos um som baixo, monótono,&lt;br /&gt;rápido como o de um relógio quando abafado em algodão. Igualmente eu bem sabia que&lt;br /&gt;som era. Era o bater do coração do velho. Ele me aumentava a fúria como o bater de um&lt;br /&gt;tambor estimula a coragem do soldado.&lt;br /&gt;Ainda aí, porém, refreei-me e fiquei quieto. Tentei manter tão fixamente quanto pude a&lt;br /&gt;réstia de luz sobre o olho do velho. Entretanto, o infernal tã-tã do coração aumentava. A&lt;br /&gt;cada instante ficava mais alto, mais rápido, mais alto, mais rápido! O terror do velho&lt;br /&gt;deve ter sido extremo! Cada vez mais alto, repito a cada momento!&lt;br /&gt;Prestais-me bem atenção? Disse-vos que sou nervoso, sou. E então, àquela hora morta da&lt;br /&gt;noite, o bater tão estranho excitou em mim um terror incontrolável. Contudo, por alguns&lt;br /&gt;minutos mais, dominei-me e fiquei quieto. Mas o bater era cada vez mais alto. Julguei&lt;br /&gt;que o coração ia rebentar. E, depois, nova angustia me aferrou: o rumor poderia ser&lt;br /&gt;ouvido por um vizinho! A hora do velho tinha chegado! Com um alto berro, escancarei a&lt;br /&gt;lanterna e pulei para dentro do quarto.&lt;br /&gt;Ele guinchou mais uma vez.. uma vez só. Num instante, arrastei-o para o soalho e virei a&lt;br /&gt;pesada cama sobre ele. Então sorri alegremente por ver a façanha realizada. Mas,&lt;br /&gt;durante muitos minutos, o coração continuou a bater, com som surdo. Isto, porém, não&lt;br /&gt;me vexava. Não seria ouvido através da parede. Afinal cessou.O velho estava morto.&lt;br /&gt;Removi a cama e examinei o cadáver. Sim, era uma pedra, morto como uma pedra.&lt;br /&gt;Coloquei minha mão sobre o coração e ali a mantive durante muitos minutos. Não havia&lt;br /&gt;pulsação. Estava petrificado. Seu olhos não mais me perturbariam.&lt;br /&gt;Se ainda pensais que sou louco, não mais o pensareis, quando eu descrever as sábias&lt;br /&gt;precauções que tomei para ocultar o cadáver. A noite avançava e eu trabalhava&lt;br /&gt;apressadamente, porém em silêncio. Em primeiro lugar, esquartejei o corpo. Cortei-lhe a&lt;br /&gt;cabeça, os braços e as pernas.Arranquei depois três pranchas do soalho do quarto e&lt;br /&gt;coloquei tudo entre os vãos. Depois recoloquei as tábuas, com tamanha habilidade e&lt;br /&gt;perfeição que nenhum olhar humano - nem mesmo o dele - poderia distinguir qualquer&lt;br /&gt;coisa suspeita. Nada havia a lavar…nem mancha de espécie alguma. . nem marca de&lt;br /&gt;sangue. Fora demasiado prudente no evitá-las. Uma tina tinha recolhido tudo… ah, ah,&lt;br /&gt;ah!&lt;br /&gt;Terminadas todas essas tarefas, eram já quatro horas. Mas ainda estava escuro como se&lt;br /&gt;fosse meia-noite. Quando o sino soou a hora, bateram à porta da rua. Desci a abri-la, de&lt;br /&gt;coração ligeiro, pois que tinha eu agora a temer? Entraram três homens, que se&lt;br /&gt;apresentaram, com perfeita mansidão, como soldados de polícia.&lt;br /&gt;Fora ouvido um grito por um vizinho, durante a noite. Despertara-se a suspeita de um&lt;br /&gt;crime. Tinha-se formulado uma denúncia à polícia e eles, soldados, tinham sido&lt;br /&gt;mandados para investigar.&lt;br /&gt;Sorri, pois. . . que tinha eu a temer? Dei as boas-vindas aos cavalheiros. O grito, disse&lt;br /&gt;eu, fora meu mesmo, em sonhos. O velho, relatei, estava ausente, no interior. Levei meus&lt;br /&gt;visitantes a percorrer toda a casa. Pedi-lhes que dessem busca completa. Conduzi-os,&lt;br /&gt;afinal, ao quarto dele.&lt;br /&gt;Mostrei-lhes suas riquezas, em segurança, intactas. No entusiasmo de minha confiança,&lt;br /&gt;trouxe cadeiras para o quarto e mostrei desejos de que eles ficassem ali, para descansar&lt;br /&gt;de suas fadigas, enquanto eu mesmo, na desenfreada audácia de meu perfeito triunfo,&lt;br /&gt;colocava minha própria cadeira propriamente sobre o lugar onde repousava o cadáver da&lt;br /&gt;vítima.&lt;br /&gt;Os soldados ficaram satisfeitos. Minhas maneiras os haviam vencido. Sentia-me&lt;br /&gt;singularmente à vontade. Sentaram-se e, enquanto eu respondia cordialmente,&lt;br /&gt;conversaram coisas familiares. Mas dentro em pouco, senti que ia empalidecendo e&lt;br /&gt;desejei que eles se retirassem. Minha cabeça doía e parecia-me ouvir zumbido nos&lt;br /&gt;ouvidos; eles, porém, continuavam sentados e continuavam a conversar. O zumbido&lt;br /&gt;tornou-se mais distinto; continuou e tornou-se ainda mais perceptível.&lt;br /&gt;Eu falava com mais desenfreio, para dominar a sensação; ela, porém, continuava e&lt;br /&gt;aumentava sua perceptibilidade. . . até que, afinal, descobri que o barulho não era dentro&lt;br /&gt;dos meus ouvidos.&lt;br /&gt;É claro que então a minha palidez aumentou. Mas eu falava ainda mais fluentemente e&lt;br /&gt;num tom de voz muito elevada. Não obstante, o som se avolumava... E que podia eu fazer&lt;br /&gt;era um som grave, monótono, rápido... muito semelhante ao de um relógio envolto em&lt;br /&gt;algodão. Respirava com dificuldade... e no entanto, os soldados não o ouviram. Falei mais&lt;br /&gt;depressa ainda, com mais veemência. Mas o som aumentava constantemente. Levanteime&lt;br /&gt;e fiz perguntas a respeito de ninharias, num tom bastante elevado e com violenta&lt;br /&gt;gesticulação, mas o som constantemente aumentava. Por que não se iam eles embora?&lt;br /&gt;Andava pelo quarto acima e abaixo, com largas e pesadas passadas, como se excitado até&lt;br /&gt;a fúria pela vigilância dos homens; mas o som aumentava constantemente. Oh, Deus!&lt;br /&gt;Que poderia eu fazer? Espumei. . . enraivecido.. . praguejei! Fiz girar a cadeira sobre a&lt;br /&gt;qual estivera sentado e arrastei-a sobre as tábuas, mas o barulho se elevava acima de&lt;br /&gt;tudo e continuamente aumentava. Tornou-se mais alto. . . mais alto… mais alto! E os&lt;br /&gt;homens continuavam ainda a passear, satisfeitos e sorriam. Seria possível que eles não&lt;br /&gt;ouvissem? Deus Todo-Poderoso! Não, não! Eles suspeitavam! Eles sabiam! Estavam&lt;br /&gt;zombando do meu horror! Isto pensava eu e ainda penso. Outra coisa qualquer, porém,&lt;br /&gt;era melhor que aquela agonia!&lt;br /&gt;Qualquer coisa era mais tolerável que aquela irrisão! Não podia suportar por mais tempo&lt;br /&gt;aqueles sorrisos hipócritas! Sentia que devia gritar ou morrer, e agora de novo... escutai...&lt;br /&gt;mais alto... mais alto... mais alto…mais alto!…&lt;br /&gt;- Vilões! - trovejei. - Não finjam mais! Confesso o crime! Arranquem as pranchas! Aqui,&lt;br /&gt;aqui! Ouçam o batido do seu horrendo coração!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6045367710377901380?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/03/o-coracao-denunciador.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SbMAOdzYfDI/AAAAAAAAAF8/KnRu-7a2skA/s72-c/connected-graphics_1068778a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6492340886401213154</guid><pubDate>Mon, 02 Mar 2009 00:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T16:16:11.600-08:00</atom:updated><title>A Irmandade das Sombras Novamente se Levanta!</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SaslRP3ghYI/AAAAAAAAAFs/ktSDPMv5pes/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308377564033615234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 298px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SaslRP3ghYI/AAAAAAAAAFs/ktSDPMv5pes/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sim senhoras e senhores, a Irmandade das Sombras está viva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos nos reestruturando aos poucos, mas logo estaremos de volta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que acessaram o blog nos últimos tempos peço desculpas pela nossa ausência, pois passamos por fases difíceis (alias ainda passamos) e por um momento chegamos até mesmo a morrer, mas como a Fenix nós renasceremos das cinzas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6492340886401213154?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2009/03/irmandade-das-sombras-novamente-se.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SaslRP3ghYI/AAAAAAAAAFs/ktSDPMv5pes/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-492196819169110673</guid><pubDate>Sat, 16 Aug 2008 20:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T16:36:20.109-08:00</atom:updated><title>É Inevitável...</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SKc1br6GJKI/AAAAAAAAADY/PoguiIo9ar4/s1600-h/P_Avareza.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235211841600627874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SKc1br6GJKI/AAAAAAAAADY/PoguiIo9ar4/s320/P_Avareza.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Por Charlise de Orleans &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a sensação de mais...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a sensação de buscar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a sensação de ganhar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitál a vontade de vencer...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É mais inevitável ainda a vontade de estar no poder...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vontade de vencer e ganhar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a sensação de poder sobre si mesmo....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É inevitável a vontade de sair, fugir, sumir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável também a espera....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a perda...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável esquecer...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É inevitável querer,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável saber fazer...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável acontecer...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável perder...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É ainda pior que a demora, pior que a derrota,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É ainda pior que os males, a tortura da vida...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É ainda pior não poder decidir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É anda pior não saber como, onde e porque...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É ainda pior batalhar e tudo se resumir a pó...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável o egoísmo,a traição a mentira...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável ir além...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável a curiosidade sobre o que a vida pode oferecer...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável,imprevisto...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passivo, terrível... doloroso...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Demoníaco, prazeroso,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Devagar,rápido,quisto...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É inevitável a morte... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-492196819169110673?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/08/inevitvel.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SKc1br6GJKI/AAAAAAAAADY/PoguiIo9ar4/s72-c/P_Avareza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6472283496652167190</guid><pubDate>Fri, 08 Aug 2008 20:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-08T17:47:33.759-07:00</atom:updated><title>SOMBRIAS ESCRITURAS ENTREVISTA PAULO SORIANO</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyt65xrfXI/AAAAAAAAADQ/AKYFDLTHdNs/s1600-h/logo_soriano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232248094550883698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 381px; CURSOR: hand; HEIGHT: 115px; TEXT-ALIGN: center" height="71" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyt65xrfXI/AAAAAAAAADQ/AKYFDLTHdNs/s320/logo_soriano.jpg" width="480" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Entrevista retirada do site&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;SOMBRIAS ESCRITURAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.sombriasescrituras.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;www.sombriasescrituras.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em entrevista ao site &lt;strong&gt;Sombrias Escrituras&lt;/strong&gt;, Paulo Soriano fala sobre seus contos e seu trabalho realizado no site Contos Grotescos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Soriano, é com prazer que o tenho aqui no site, grande contista e amigo. E por falar em contos, poderia começar nossa entrevista falando sobre os motivos que o fizeram se interessar mais por contos de terror? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;O prazer é todo meu! Fico honrado com o convite. É muito bom estar aqui nas Sombrias Escrituras. Quando eu era criança, costumava assistir aos filmes de terror que passavam na extinta TV Tupi e na então incipiente TV Globo. Dentre outros, eram exibidos na telinha os bons e velhos filmes produzidos pela Hammer, estrelados por Vincent Price, Peter Lore , Christopher Lee e Peter Cushing. Eu adorava aquilo. Depois vieram as leituras, em especial Edgar Allan Pöe, William Peter Blatty, Sheridon Le Fanu e Stevenson. Quando me pus a escrever contos, não deu outra: só saía terror...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Sabemos que no cinema e na literatura existem o terror psicológico, o macabro, o violento, etc... E em seus contos? Qual lado do terror você procurar mais explorar? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Acho que o que escrevo está mais para o horror. Escrevo para que as pessoas leiam e digam: que horrível! Gosto também do elemento trágico no horror. Um certo conto meu já pôs mais de uma pessoa pra chorar. Mas o que eu gosto mesmo é de uma surpresinha no final, ou de uma reviravolta no enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;S.E.- Você também mantém um site, o "Contos Grotescos", que divulga contos de escritores dedicados ao gênero do horror e da fantasia. Como surgiu esse site e como vem sendo o desenvolvimento do mesmo por parte dos escritores participantes? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Bem, tudo começou quando pedi a um amigo e colega de trabalho, Waldir Santos, para revisar alguns dos meus contos. Ele gostou muito e criou uma comunidade no Orkut, “Escreva mais contos, Paulo Soriano”. Atendendo a pedido de amigos, criei uma “home page” no Yahoo, na qual publiquei algumas narrativas. Daí para o “site” foi um pulo. Hoje, o “site” conta com um grande número de colaboradores. Tenho exemplos de muitas pessoas que foram incentivadas a produzir narrativas de horror e fantasia acessando e lendo os Contos Grotescos, o que é mais que gratificante. E creio, também, que o “site” está conseguindo cumprir o seu desiderato: ser um veículo de publicação de novos talentos que não conseguem publicar em papel.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Existe também a "Irmandade das Sombras", que de acordo com seu site, é uma confraria literária que reúne vários colaboradores contistas de horror e fantasia. Fale mais sobre essa Irmandade... seus feitos, blog, publicações etc... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;A Irmandade das Sombras é uma confraria de escritores amadores criada por Linx e Rogério Silvério de Farias, cujo objetivo é cultivar e disseminar o gênero fantástico. Dela faço parte, com muito orgulho, desde o dia de sua criação. A confraria se reúne no “site” Recanto das Letras e, graças a colaboração de todos, dispomos de um blog (&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.recantodassombras.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;www.recantodassombras.blogspot.com&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;) e já publicamos uma antologia de contos, pela editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Atualmente, a Irmandade das Sombras mantém uma revista literária, a IS Magazine, periódico eletrônico ancorado no “ site” Contos Grotescos e que, atualmente, já vai em seu terceiro número. No futuro, deveremos publicar, também, antologias em “e-book”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Seu site, Contos Grotescos, atualmente, possui mais de trezentos contos. Qual sua visão em relação às publicações de textos na internet, suas implicâncias para nossa literatura, o que se ganha e o que se perde com essa liberdade digital? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Acho que a “internet” é uma grande conquista. Certa vez registrei que, no Brasil, fazemos uma constatação amarga e iniludível: o livro é um objeto de luxo, ao alcance de muito poucos. A evolução tecnológica na produção de livros é inversamente proporcional ao acesso da população a eles. É dizer, as editoras publicam ótimos exemplares, cada vez mais belos e sofisticados, para uma casta privilegiada: a dos que podem, sem sacrifício, desembolsar de 60 a 100 reais por uma brochura de trezentas a quatrocentas páginas. Ao seu turno, é tarefa quase impossível publicar no Brasil. Em se tratando de ficção, o mercado editorial vale-se essencialmente de traduções de autores estrangeiros consagrados. A "internet" vem a ser, assim, de fato, uma ferramenta poderosa para disseminação de textos e idéias. Não houvesse tal ferramenta e, certamente, os meus contos não seriam conhecidos por mais de uma dúzia de pessoas. Assim como eu, muitos outros autores se valem do meio cibernético para divulgação de sua obra, formando uma extensa malha de difusão e assimilação da literatura. E há ainda sítios especializados na divulgação de trabalhos literários, como é o caso do Recanto das Letras, que congrega autores – profissionais ou não – das mais variadas tendências. Creio que com a “internet” não há o que se perder. Todos têm a ganhar, autores ou leitores. O que se pode afirmar é que, como toda mídia, a eletrônica tem suas exigências e especificidades; cumpre ao autor se adaptar a elas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- O terror como inspiração literária, no seu caso, vem de quais fontes?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Sobretudo de Allan Pöe. Mas exercem-me, também, influências autores que não se dedicaram - ou pouco se dedicaram - ao gênero, como Eça, Alexandre Herculano e Emily Brontë. Mais recentemente, e com menor intensidade, posso citar a influência de autores como Bierce, Lovecraft e King.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Além da literatura, existe outra forma que você gosta ou gostaria de se expressar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Não, não há. No passado, gostava de desenhar e de pintar. Hoje em dia não tenho mais paciência. E, recentemente, descobri que estou enxergando muito mal...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Quando começamos a ler seus contos, uma espécie de feitiço, lentamente, nos toma a atenção e nos deixamos absorver pela leitura. Como você inicia a criação de seus textos, e como se desenrola o processo de criação até o desfecho? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.-&lt;em&gt; É verdade? Não sabia! Fico feliz com isso. Bem, na maioria das vezes elaboro os meus contos deitado, esperando o sono chegar. Sofro de uma insônia terrível desde a adolescência. Assim, para induzir-me ao sono, fico criando histórias em minha mente. As palavras vão surgindo, as imagens vêm chegando. Muitas vezes, quando resolvo ir ao computador, a narrativa já está praticamente pronta em minha cabeça. Outras vezes, descarto sumariamente a história. Atualmente, por exemplo, estou induzindo o sono com uma história em que, no futuro, cientistas conseguiram criar uma espécie de intersecção no espaço-tempo. Através dessa intersecção, eles verificam que, na realidade, Jesus morreu na cruz, mas não ressuscitou. Concluíram que esta verdade seria um duro golpe para a civilização ocidental. Então eles interferem na linha espaço-temporal, alterando o passado e a ajustando à tradição cristã: antes que a morte de Jesus advenha, os cientistas injetam no Salvador uma espécie de droga que o deixa em estado similar ao da catalepsia. Jesus é dado por morto e sepultado. Mas ao final do terceiro dia... ainda não sei como vai acabar. Talvez hoje, antes de dormir, conclua a história, que, aliás, já está descartada. Mas nem sempre é assim. Não poucas vezes me sento ao computador, com a cabeça completamente vazia e, em vinte ou trinta minutos, tenho uma história pronta. Como eu sou muito ansioso e impaciente, as minhas histórias saem sempre de chofre. Jamais escreverei um romance.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;S.E.- Você tem muitos fãs. Já pensou no lançamento de um livro de contos seus para breve? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P.S.- &lt;em&gt;Outra coisa que não sabia... Eu tenho fãs! Coisa difícil para um escriba criticado justamente pela linguagem “difícil”, que afasta muitos leitores. Bem, já pensei, sim. O problema é que não consigo elaborar uma seleção de contos para publicação. Por mais que eu tente, não sei o que incluir e o que deixar de fora. Tenho a idéia de publicar contos ambientados na Idade Média (eis aí a influência de Eça e de Herculano). Mas não sei se a idéia irá vingar. King disse certa vez que o pior crítico do autor é o próprio autor. Acho que ele tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;S.E.- Obrigado pela atenção, Soriano, seja sempre bem-vindo em Sombrias Escrituras. E para finalizar, deixe seu recado pois o espaço é seu! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S.- &lt;em&gt;Eu agradeço às Sombrias escrituras por esta oportunidade. O cronista João Costa escreveu, com pertinência, e eu gosto sempre de frisar, que "é provável que não haja gênero literário de mais difícil construção e, não obstante, de maior tendência para ser intelectualmente discriminado quanto o sobrenatural. Muitos críticos consideram tal gênero um exercício intelectual de segunda ordem, aquém da profundidade e complexidades necessárias para, a partir dele, elaborar-se um verdadeiro clássico literário..." Pois bem, digo aos leitores de Sombrias Escrituras que não se deixem seduzir pelos críticos preconceituosos: continuem fãs do fantástico. Com isso, só temos a ganhar. E muito. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6472283496652167190?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/08/sombrias-escrituras-entrevista-paulo.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyt65xrfXI/AAAAAAAAADQ/AKYFDLTHdNs/s72-c/logo_soriano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-277965326381278472</guid><pubDate>Fri, 08 Aug 2008 19:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-08T12:47:11.412-07:00</atom:updated><title>O VISITANTE DO ESCURO</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyiprL9ssI/AAAAAAAAADI/1nvAPxrVTeQ/s1600-h/shadow032706f.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5232235703948915394" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyiprL9ssI/AAAAAAAAADI/1nvAPxrVTeQ/s320/shadow032706f.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O VISITANTE DO ESCURO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Um conto de Henry Evaristo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os livros eram a única companhia de Mendel no escritório da administração. Não gostava da sensação de solidão que o lugar impingia-lhe e muito menos da determinação da direção para que mantivesse as luzes externas apagadas a fim de surpreender algum invasor. Para diminuir a irritação pensava insistentemente no salário e nas horas extras que receberia com as quais poderia finalmente pegar um ônibus e ir passar o natal com seus filhos no estado vizinho; ademais, era o segundo emprego fixo que arranjava em mais de cinco anos; mas o primeiro no turno da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não lhe bastasse o fato de seu ofício macabro situar-se às margens de uma estrada que, à medida que o sol se punha, ia se tornando cada vez mais perturbadoramente deserta, ainda lhe apetecia deveras a leitura de textos terríficos tais como A SOMBRA DO DESCARNADO e O ANDARILHO DA NOITE, ambos romances medonhos de seu escritor favorito, o canadense Norbert Durand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua função era guardar o estabelecimento não permitindo a ação dos vândalos e ladrões de túmulos que vinham agindo desmesuradamente nos últimos dias desde que o vigia anterior demitira-se sem mais explicações. Para isso, a parede central da sala de madeira nos fundos do terreno contava com uma enorme janela que possibilitava uma visão privilegiada do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite em específico as leituras apavorantes que fizera desde cedo o obrigaram, por volta das 23 horas, a cerrar as pesadas cortinas que ladeavam a vidraça de sua janela de vigília. É que a combinação entre os horrores que lia compulsivamente nas páginas amareladas e a visão das lápides imersas nas trevas da noite do lado de fora não estavam lhe fazendo bem aos nervos. Mais de uma vez tivera que interromper a leitura para, de lanterna em punho, dar uma olhada nas imediações por causa de estranhos ruídos que notara em meio ao gemido do vento invernal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez imaginara ter ouvido demasiados latidos de cães das redondezas e, lá fora, chegou mesmo a ter que espantar alguns que se aglomeravam em frente a um portão lateral. A entrada dava acesso diretamente para algumas covas simples no final do cemitério, onde o terreno entrava em franco declive ao se encaminhar para onde eram enterrados os indigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda interrupção em sua leitura foi provocada por sons distantes de batidas surdas que alguém parecia estar desferindo insistentemente em alguma superfície resistente. Às implicações desta possibilidade ele preferiu renunciar e resolveu não sair de dentro da saleta. Todavia, a partir daí, manteve-se involuntariamente alerta e não esqueceu de trancar bem a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava quase que totalmente absorto novamente em seu passatempo quando, de repente, avistou com o canto do olho um vulto escuro passar correndo bem diante à janela. Ergueu-se de um salto e sacou o revolver. Tremia. Lentamente dirigiu-se até a porta, mas, logo depois, desistiu e resolveu dar uma espiada para fora através da vidraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximou-se da superfície fria, e olhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não avistou absolutamente nada e ficou cismando se não deveria parar de ler aquelas coisas por aquela noite. Foi quando o animal saltou da escuridão quase se chocando contra a janela. Mendel se jogou para trás e se deixou cair sobre a cadeira que ocupava antes. Por um momento sua visão se embaralhou de tanto medo. Depois viu, do lado de fora, um grande cão marrom, de orelhas em pé, que fitava para o lado de dentro ofegante e amedrontado. Arfava de tal maneira que era possível ver seus pelos se agitando sobre a pele. Imediatamente Mendel lembrou-se da passagem que as chuvas torrenciais da semana anterior haviam aberto num trecho do muro setentrional do cemitério. Elas não davam passagem a nenhum homem, mas poderiam ser perfeitamente caminho para um exemplar daqueles. Aquilo o acalmou e retirou a aura de "coisa sobrenatural" que o cão já estava assumindo na mente afetada do pequeno vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, algo parecia estar brutalmente errado com a cena. Aquele animal estava mortalmente amedrontado e olhava alucinadamente para dentro do posto de vigília, para os olhos de seu único ocupante. E aproximou-se da janela, pouco antes de desaparecer na noite, como que a implorar que lhe abrissem a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É de grande porte, como um Mastiff." Pensou Mendel. "Do que teria medo afinal?". Resolveu afastar o pensamento e voltar a sua leitura. O pobre bicho já deveria estar longe. Com certeza retornara para a estrada, pois o ouvira emitir um ganido curto em algum lugar oculto de sua visão. "Provavelmente arranhou o lombo" Pensou. "Ao se arrastar de volta pela passagem estreita por onde entrou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixou novamente a cabeça e recomeçou. Desta vez, no entanto, demorou bastante a conseguir atingir o mesmo nível de concentração com que iniciara seu turno. A noite ao redor de seu posto assumira uma outra conotação em sua mente. Para ele aquele maldito cemitério bem poderia estar sendo visitado pela entidade que vagava por aquelas estradas. Dizia-se que já fora avistada centenas de vezes pelas cercanias. Ninguém poderia afirmar o que era, e ele mesmo não acreditava em assombrações. Muitos juravam que se tratava de um vampiro; outros a chamavam de demônio. E muitos sujeitos de fora já haviam visitado a região com suas máquinas para tentar encontrar alguma coisa concreta, mas nunca obtiveram êxito algum. Em fim, para Mendel, até aquela noite, as lendas locais nunca tinham tomado tanta consistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sua cadeira de madeira, com os livros de Durand em sua frente, Mendel passou a imaginar o que faria se de repente a tal fera surgisse rosnando em sua janela. Como aquele estranho cão, ela o olharia nos olhos, mas depois, em vez de desaparecer, se jogaria contra o vidro até conseguir entrar para arrancar fora suas entranhas. Não pôde mais fitar aquele quadro negro; levantou-se, correu até as cortinas e as fechou depressa evitando a todo custo olhar para a escuridão do lado de fora. Tinha a todo o momento a impressão de estar ouvindo um ganido de dor canino que viesse de algum lugar nos fundos do cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi até o banheiro. Precisava aliviar a bexiga da pressão que ali surgira. Abriu o zíper, segurou a ponta do cinto para não molhar e soltou o fluxo que lhe oprimia o baixo-ventre. Nem bem começara ouviu um baque violento contra a vidraça que o fez virar-se de súbito para fora do minúsculo compartimento, sacar sua arma e disparar aleatoriamente atingindo a única lâmpada que servia de iluminação para o lugar onde estava. A sala mergulhou imediatamente numa escuridão ainda maior do que aquela tão terrível que dominava o mundo do lado de fora. E Mendel ficou paralisado de medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arma tremia loucamente em sua mão. Seu instinto de sobrevivência lhe ordenava que disparasse contra qualquer coisa que se movesse à sua frente. E ele, com seus olhos contraídos de pavor, via pouco ou quase nada em meio a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendel era novato. Naquela situação não lembrava mais do que lhe fora dito quando de sua contratação na semana anterior. Não lembrava do interruptor que acendia as luzes exteriores; não lembrava sequer do telefone na parede atrás da porta do banheiro. Lembrou-se, no entanto, e devido à urgência da luz, da lanterna guardada na última gaveta de sua mesa. Ia avançar para lá quando, de súbito, a vidraça estourou com um novo impacto, e se estilhaçou em mil pedaços cortantes que saltaram para o espaço interior com rapidez assassina. Fixaram-se em toda parte, espetando papéis em cima da mesa, rasgando as páginas amareladas dos livros de Durand e atingindo um dos olhos do vigia em desespero. Mas os estilhaços não adentraram o modesto escritório sozinhos. Em meio a nuvem mortal tombou inerte ao soalho de madeira uma massa meio disforme de carne lacerada e ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendel jogara-se para o lado de dentro do banheiro após sentir o impacto do objeto cortante em seu olho esquerdo e agora estava dominado por uma dor aguda enquanto ficava cada vez mais banhado em sangue. Mesmo assim pôde notar que partes das cortinas que não haviam sido dilaceradas continuavam baixas e que, apesar do vento do lado de fora, não podia ver objetivamente o que havia por lá. Olhou para frente em direção ao cadáver ensangüentado que jazia a poucos metros de onde estava e reconheceu, por entre a turvação que afetava sua visão, o cão marrom que havia visto pouco antes. Estava comido, devorado parcialmente. Mendel percebeu que sua cabeça estava aberta e lhe faltavam coisas lá dentro. No entanto, alguns de seus membros ainda se moviam em espasmos curtos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lentamente tentou se locomover procurando fazer o mínimo de barulho possível, mas esbarrou em um monte de vidros quebrados que lhe abriram um corte profundo em uma das mãos. Ele gritou de dor, foi inevitável, e seu grito chamou a atenção da coisa que estava do lado de fora, pois os frangalhos das cortinas se ergueram até quase descobrir uma silhueta alta e magra que se recortava contra a fina luminosidade do nevoeiro que se formara com a chegada da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendel soltara sua arma com o impacto que sofrera. Não podia atirar naquilo que estava prestes a entrar em sua sala. Não podia fugir no escuro sem nada enxergar que fosse muito além de uma nuvem vermelha em seus olhos. Resignado, prendeu a respiração e esperou que o que quer que fosse se revelasse por inteiro - e o conduzisse a uma horrenda alvorada de medo e dor. Foi então que veio a voz e a visão que o enlouqueceram. Do lado de fora, erguendo os restos de tecido da cortina da janela, estava um homem de terno - um terno simples, escuro, discreto; a vestimenta padrão com a qual enterravam os mais humildes da região. Tinha a pele amarelada e falou com uma voz que não podia vir de um ser vivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estou com fome! Estou com fome! Dê-me meu cão!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mendel perdeu os sentidos e assim foi encontrado na manhã seguinte pelos zeladores. A polícia foi chamada e os agentes passaram muitos dias tentando entender o que se passara. Apesar dos danos na estrutura física do escritório e no corpo do funcionário, nada indicava a presença de uma segunda pessoa no local durante a noite em questão. Ele e o cadáver semi-devorado do cão foram encontrados a meio caminho dos fundos do cemitério, no lugar em que o terreno se tornava descendente e levava à ala onde eram enterrados os indigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou-se que o vigia enlouquecera de repente e causara tudo ao local e a si mesmo. Inclusive, num ato de extrema insanidade, teria matado e devorado o cão de rua. Argumentou-se que seus ferimentos teriam sido feitos pelo animal em desespero a lutar pela vida; mas quem quer que o visitasse em seu quarto acolchoado no sanatório municipal, e conseguisse observar mais detalhadamente, poderia jurar que as marcas que se espalhavam por seu corpo, em lugares que ele mesmo jamais poderia alcançar, eram de grandes dentadas humanas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-277965326381278472?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/08/o-visitante-do-escuro.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SJyiprL9ssI/AAAAAAAAADI/1nvAPxrVTeQ/s72-c/shadow032706f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-459391995939782969</guid><pubDate>Sat, 26 Jul 2008 20:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-26T13:42:50.062-07:00</atom:updated><title>O Nascimento de Charlise</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SIuMObIcPLI/AAAAAAAAACo/jxaUlO0AaKo/s1600-h/Bloody_Demon_Women.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SIuMObIcPLI/AAAAAAAAACo/jxaUlO0AaKo/s320/Bloody_Demon_Women.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227425971922812082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Charlise de Orleans&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aline ainda estava atônita olhando áquela carta. Tinha acabado de sair desiludida da sala do comissário Lucio Ferreira, que mais uma vez disse que sua mãe não deixou pistas, e foi para nunca ser encontrada. Até sua mãe? Até ela se fora com aquele monstro.... O casamento com Charles era uma fuga daquele inferno, mas até ele aquele infeliz a tinha abandonado..... Eu não era perfeita? Não é isso que diziam? Linda pura e imaculada? De que me adiantou tudo isso? Me diz Deus.....De que me adiantou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/05/06&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Honra a teu pai e tua mãe, porque este é o primeiro mandamento com promessa "Efésios 6:1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos trêmulas passeam por aquele papel, olhos vermelhos e lacrimejantes ávidamente buscam as entrelinhas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá minha querida Aline...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo minha querida..desde que viajei não pude falar com você...Tudo bem eu entendo,não tive as melhores despedidas..mas você precisa entender.Depois do tudo que aconteceu eu precisava ir embora,sim eu deveria ter me despedido de você e não simplismente ter ido embora na calada da noite,sei que pode ser difícil para você,afinal tens apenas 16 anos,acabou de ser largada no altar,mas está de você enfrentar a vida,querida esqueça o que passou,o meu namorado apenas me amava,ele nunca te faria mal.Tente esquecer o que você acha que ele fez,minha filha,eu não te abandonei como você pensa,apenas fui atrás do meu destino,filha responda as minhas cartas,não se torne uma pessoa revoltada com a própria sorte,a vida é assim mesmo,eu tinha que correr atrás da minha felicidade,e você não podia me separar dele,eu o amo,e por isso te deixei aos cuidados das irmãs do orfanato,sei que você está sendo bem tratada,quem sabe um dia agente se encontra,e eu te conto tudo,não se zange comigo,o Luís também te ama,por isso ele te tratava com carinho,não queria que você saísse,que você namorasse(afinal ele tinha razão, olha o que o Charles fez),ele ficava tão preocupado,que quando eu saía,lembra que ele dormia com você?Tudo para não me preocupar,lembra que quando você ficava doente,ele te dava remédios,dormia ao seu lado na cama,e você dormia como um anjinho?Dormia horas e horas?Era ele que te levava na escola,e você nem ia pra aula,ele te levava até a porta e você não ia.O Luís sempre me dizia que te largava na escola,e não sabía porque você estava com tanta falta.Você era muito rebelde,acusava o Luís de coisas horríveis,e eu não podía mais aguentar,então escolhi ficar com ele e hoje estou muito feliz,viajamos o mundo e espero um dia poder te ver de novo,só se você prometer aceitar o Luís,porque sem ele eu naõ fico,não posso ficar sem ele,ele é minha vida.Você entende não é?Espero sua resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo bem carinhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS:O Luís manda um beijo bem no fundo do seu coração,não sei o que isso quer dizer mas ele disse que você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua Mãe....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desesperada, e sem rumo, Aline parte para o rio próximo a cidade... Atordoada por aquela carta, as palavras não saíam de sua cabeça....Torpes e sem sentido,...... Zonza, Aline cai no chão.... Uma raiva sem tamanho a toma.... Começa a dizer palavras sem sentido....Porque?? Eu não era a perfeita?? Tão linda e pura.... Perfeita para o filho do prefeito?? Linda e virgem para o amante da minha mãe? Ótima aluna para a única escola maldita da vila.... A melhor devota da igreja.. Invejada pela minha pureza... Pelos meus belos olhos... E para que? Para que tanta servidão?? Tanta perfeição...Como dizia minha vó, fui amaldiçoada pela beleza, esquecida por Deus e maldita pelos homens.. Mas nunca mais... Nunca! Qualquer pessoa irá se atrever no meu caminho....Nunca... Isso eu garanto... Porque desta vida eu não pertenço mais... Então atordoada pela sua maldição, Aline se atira no lago... vestida de noiva, com pedras amarradas em sua cintura... Fechou os olhos, e sentiu a água gelada cobrindo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bradando do céu.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha Cara Aline.... não desprezeis sua vida.... Vejo em você uma vocação, um dom,um chamado,algo que eu já não posso mais exercer, venha minha querida, saia da água...Aline sai da água, e para diante do ser á sua frente...Primeiro seu nome será Charlise... Após meus testes.. você será o que quiser, e com a mente mais poderosa do mundo, pronta?Sim!Que comece a metamorfose....Apesar das dores e sofrimentos, os ferimentos abertos, o sal em suas feridas davam agonia, porém com as mão atadas, era impossível coçar e resfriar... Mas mesmo assim eu não desistia, deveria ir até o fim, apesar de todos os cortes proferidos em meu corpo, ainda havia mais a cortar, sem contar os açoites diários, era um tormento...Mas era só um teste, ela me queria, e eu ainda mais ser Charlise...Depois dos testes físicos, agora era os psicológicos....Eu deveria ficar trancada em um cubículo, e tentar achar uma saída, porém, além de trancada a porta, havia sensores de movimentos.... Para cada mexida, um açoite era disparado nas minhas costas....Após dias nesta batalha.... Quase morta,quase viva,moribunda,febril,sangrando.... Ela voltou.... Apenas me disse:Você está pronta para seu mortal destino....Com os cumprimentos de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nêmesis, a inevitável.....&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-459391995939782969?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/07/o-nascimento-de-charlise.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SIuMObIcPLI/AAAAAAAAACo/jxaUlO0AaKo/s72-c/Bloody_Demon_Women.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6414972172707021484</guid><pubDate>Fri, 06 Jun 2008 03:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T16:10:43.947-08:00</atom:updated><title>O TEMPLO DE HAZAAD</title><description>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://home.earthlink.net/~angeldancer27/_uimages/TheCastleRuins.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;O TEMPLO DE HAZAAD&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Por: Henry Evaristo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sempre me senti atraído pelo insólito. Quanto jovem despendia horas a fio absorto na tarefa de garimpar nas bibliotecas de meus familiares todos os livros que abordassem temas assombrosos e fantásticos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo naquele universo me interessava profundamente e meus esforços para tocá-lo, de qualquer forma, tornaram-se cada vez mais veementes com o passar dos anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A herança recebida de um tio tirou-me da miséria em que a morte de meus genitores me deixara e com trinta e cinco anos eu soube, pela primeira vez, o que era a liberdade financeira quase sem limites. Minha ânsia pelo inusitado que existe nas entrelinhas do mundo, podada durante os últimos anos pelas dificuldades financeiras e pelo trabalho que tinha para manter a casa apenas com meus ganhos com aulas particulares, cresceu desmesurada e diretamente proporcional à fortuna que, de repente, eu vira depositada em minha conta no banco. Eu, como único sobrinho do velho Santmartin, herdara-lhe a fortuna.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No início limitei-me a importar tudo o que eu sempre sonhara em livros e artefatos relativos ao mundo da magia, do ocultismo, da demonologia e da bruxaria. Tudo o que podia encontrar eu imediatamente adquiria. Enchi a casa com volumes antigos e raros, e outros materiais com os quais um verdadeiro conhecedor do assunto poderia realizar qualquer tipo de ritual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o avançar dos dias tornei-me ainda mais recluso do que de costume e raras eram às vezes em que os outros me avistavam pálido a vagar pelas ruas da vizinhança. Até mesmo as visitas ao meu estabelecimento preferido, na avenida leste, ficaram restritas a no máximo um domingo por mês. Passei a entender que para manter-me puro como mandavam as lições dos tomos dos mestres eu deveria ser capaz de produzir, num ambiente adequado às especificações dos ensinamentos, todos os meus alimentos. Tornei-me ferrenho vegetariano e a higiene absoluta para mim passou a ser uma obsessão. Chegava a tomar oito banhos por dia até mesmo nas temperaturas abaixo de zero de nosso inverno. Lia por seis e às vezes até oito horas ininterruptas. Nos intervalos, quando os olhos ardiam e ficavam vermelhos, corria ao laboratório que construí para tentar por em prática a teoria que aprendera. Depois comia plantas e ervas exóticas importadas do oriente e cultivadas, com todas as adaptações climáticas necessárias, em uma estufa que erigi no quintal. À noite o telhado da mansão era frequentemente visitado por minha figura esguia e mortiça, pois eu havia lido no APOCALIPSE DAS CRIATURAS, o terrível grimório do turco Hazaad — o qual eu adotara como meu principal objeto de estudo — que a luz da lua era energética para o mago e que este poderia ler no brilho das estrelas o destino de todos os homens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dois anos se passaram até que meus estudos me apontaram outro caminho. As leituras dos antigos livros e mapas, e peças raras trazidas de países distantes, me levaram à conclusão de que nada mais profundo eu poderia aprender e conquistar a partir do interior das paredes de minha própria casa. Era preciso aventurar, ir mais fundo na busca pelas informações; para penetrar nos confins absolutos do indizível, eu precisava viajar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim conheceu minha presença alta e magra a cidade de Istambul no verão de 1937. Lá deixei que toda a força dos ensinamentos do mestre Hazaad tomasse conta e já não agia mais em respeito a meu corpo e minha mente. Acreditava que todos os meus passos eram guiados para algum desígnio oculto por uma força consciente que estava, para além da minha própria ânsia em seguir em frente, me orientando para um destino mágico. Em minha inocência humana, cria piamente que poderia desvendar e vislumbrar mistérios nunca antes conhecidos ou vistos por nenhum outro intelecto desta terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minhas buscas em velhas bibliotecas e sítios históricos levaram-me às ruínas do lugar habitado pelo mestre turco no século IX. Era, naquele tempo, um espaço afastado das zonas urbanas. Isolado por mais de trezentos quilômetros que avançavam para dentro de uma vasta região desértica. Quando me vi sozinho em meio às colunas do que no passado deveria ter sido um imenso templo goético(1), e enquanto ainda podia ver a silhueta recortada contra o poente do homerm esquálido que me trouxera ali em seus camelos cansados, senti que finalmente estava diante de algo profundo e do qual já não podia me esquivar de qualquer forma. Era o espectro obscuro que eu tanto perseguira que se apresentava para mim por entre aquelas ruínas ancestrais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a despeito de toda a exaltação e curiosidade, não foi sem uma pontada de relutância no coração que arrisquei os primeiros passos no interior do terreno acidentado. As imensas colunas rochosas amontoavam-se de uma forma inexplicavelmente incômoda para mim e os ângulos em que se haviam retorcido as gigantescas barras de aço que sustentavam um portão, como que meio viradas para o lado de fora, causavam-me um terror que ainda naquele momento era totalmente injustificado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por muitas horas vaguei por entre os resquícios daquele sítio antiqüíssimo e deixei-me levar pelos ares de outras eras. Conforme avançava pelos restos de largos corredores e galerias gigantescas não podia deixar de imaginar o tipo de conhecimento que um dia fora produzido no interior daquelas paredes. Imagens de épocas passadas se formavam em minha mente a todo instante e eu quase podia testemunhar os milhares de homens e mulheres miseráveis que corriam à suas portas em busca de algum tipo de solução em suas vidas ou em fuga das lâminas intolerantes dos maometanos(2). De repente senti-me rodeado pela própria história da magia quando a natureza era um bem comum e controlável; quando a riqueza a partir do nada era um sonho possível e quando todo o mal podia ser feito ou desfeito com o auxílio dos gênios. De alguma forma maravilhosa a luminosidade solar que penetrava por entre as frestas nas rochas formava barras translúcidas dançantes em frente a meus olhos e, em relances breves, eu podia até mesmo vislumbrar pequenas formas divergentes do vento que se contorciam na luz. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eu os vejo!” Gritei para o vazio das paredes destruídas. “Os demônios da poeira!”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E aquelas coisas estavam em toda parte. Dos recantos mais próximos e mais distantes, e até mesmo do fundo da terra escura, pareciam rir para mim, e me chamar. Era a jornada de minha vida; onde me seriam revelados os arcanos mais secretos. A cultura banida da terra a ferro e fogo pelo poder secular cristão; o conhecimento dos antigos que foi extirpado em toda a sua plenitude do inconsciente do mundo pelo império da razão e pelas amargas religiões dos homens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Largar-me inteiramente ao poder daqueles pequenos seres para que eles me conduzissem ao meu destino era o que eu queria mas, ao mesmo tempo, crescia ainda mais em mim um sentimento de alarme ante a tudo o que me cercava. Os espaços escuros por entre as ruínas titânicas passavam a representar perigo crescente em meu imaginário e não foi apenas uma vez, antes do fim, que achei ter visto um brilho anormal que me espreitava como os olhos de algum animal raivoso em meio às trevas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando tornei a procurar os seres da luz, encontrei-os parados e amontoados a um canto bem iluminado. Não havia mais em seus rostinhos miúdos e afogueados o sorriso de outrora e muitos olhavam assustados para algum ponto acima de minha cabeça. Foi um movimento de pequenas pedras rolando que fez com que eu me voltasse para trás. Não vi mais nenhum sinal de movimento naquele interior e a escuridão, que antes se mantinha escondida e tímida, a tudo inundou com um ardor avassalador. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente me vi só, em pé, em frente a um pavor gigantesco e escuro que me fitava do alto de um paredão com muitos metros de altura. E a cada gesto seu, a claridade solar se curvava e minguava até desaparecer por completo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não era um homem em absoluto. Antes era um resumo de homem; e do lugar onde deveria estar sua cabeça pendia para fora, projetando-se no ar, um imenso apêndice esverdeado cuja extremidade trazia um par de olhos amarelados que me fitavam horrivelmente graves. Seu tórax era forte, viril, como o de alguma potestade mitológica e abaixo da cintura, entre um par de pernas vigorosas que mais pareciam pilares de mármore escuro, balouçava a um estranho vento simum(3) um imenso falo, como uma grande cauda frontal, que se comportava como serpente ensandecida por um ódio tal que tentava, vez por outra, atacar as pernas da aparição que a continha com suas tremendas mãos musculosas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era ele, tenho certeza! Era Hazaad, o mestre dos magos negros do oriente que me fitava do interior daquela forma medonha. Sei disso porque ouvi seus gemidos dentro de minha cabeça; ecoando como o grito nefasto que deve subir dos intestinos do inferno para aqueles que o procuram. E senti que suas mãos, aquelas mãos que antes tentavam conter a coisa gotejante que lutava por sua carne, agora se insinuavam dentro de mim, acariciando asquerosamente meus órgãos mais vitais, tentando sair e formando erupções em minha pele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ali, naquele templo amaldiçoado perdi toda a minha convicção. No lugar onde o mal permaneceu aprisionado até aqueles dias eu falhei como mago. Cai de joelhos e pedi clemência e este meu ato provocou risadinhas histéricas por todo o recinto. Ainda pude ver os pequenos demônios da poeira rastejando de volta para seus buracos infectos agora com aparências bem diferentes daquelas com as quais me receberam. Como bandos de insetos imundos, se esconderam novamente em suas tocas decepcionados ao entenderem que não era eu, ainda, aquele que levaria o poder de seu mestre para o mundo exterior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois tudo se acalmou e apenas o uivar do vento quente do deserto fustigando as velhas ruínas chegou a meus ouvidos. Tudo estava como era antes e aquela quietude oprimiu meu coração de tal maneira que saí correndo do velho templo sem nem mesmo pensar na direção que tomaria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi um grupo de nômades que me encontrou vagando desorientado pelas areias, à noite, já quase a morrer de frio. É a eles que devo minha vida. A eles e a meu instinto humano de preservação. Mas receio que coisas muito mais sérias estiveram em jogo naquele dia no templo de Hazaad e, se não fui eu seu novo discípulo no mundo dos homens para pregar e espalhar seu mal sobre esta terra, seu velho e hediondo templo ainda está lá, solitário em meio à vastidão desértica, esperando por outro estudioso mais temerário que aceite ser tocado daquela forma pelas mãos asquerosas do mal absoluto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(1) - Goético: referente à Goécia, termo com o qual se desginava a magia negra na Grécia antiga e durante a idade média.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) - Maometanos - Como eram conhecidos os seguidores de Maomé, os muçulmanos, nos textos mais antigos sobre o Islamismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) - Vento simum - vento extremamente forte, mais comum no deserto do Saara, que provoca enormes tempestades de areia.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6414972172707021484?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/06/o-templo-de-hazaad.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6912780667495412066</guid><pubDate>Thu, 05 Jun 2008 21:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-05T14:20:30.980-07:00</atom:updated><title>Samantha</title><description>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEhXq6JLb7I/AAAAAAAAACg/UVsjwRXFThQ/s1600-h/samantha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208509363727855538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEhXq6JLb7I/AAAAAAAAACg/UVsjwRXFThQ/s320/samantha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um dos meus contos favoritos...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dedico esse conto a Samantha, cujo nome inspirou esse conto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Oi!&lt;br /&gt;A voz angelical de Samantha penetrou pelos corredores até a cozinha onde seu tio bebia um copo de uísque vagabundo sem gelo.&lt;br /&gt;— Entre meu bem, estou na cozinha&lt;br /&gt;Samantha era uma menina de 16 anos, mas com certeza podia se passar por 18 ou talvez 20 se quisesse, se não fosse claro por sua voz doce de menina. Isso talvez fosse o que mais atormentasse e excitasse seu tio que tinha por ela um desejo quase incontrolável.&lt;br /&gt;Ao adentrar no recinto onde estava seu tio, ela já pulou em cima dele lhe dando um abraço apertado, enquanto sue tio tentava não demonstrar sua ereção.&lt;br /&gt;— Vim te ver titio!&lt;br /&gt;— Nossa! Estava mais que desconcertado. Que bom!&lt;br /&gt;— Vim em má hora?&lt;br /&gt;— Claro que não meu amor, claro que não. Ele se levantava rápido, enquanto ela descia de seu colo. E então quer alguma coisa?&lt;br /&gt;— Sim!&lt;br /&gt;— Água ou suco?&lt;br /&gt;— Um beijo. Sua voz era recheada de desejo&lt;br /&gt;— O que? Ele tremia&lt;br /&gt;— Um beijo ué.&lt;br /&gt;— Um beijo Samantha... Disse ele vermelho de vergonha de seus próprios pensamentos.&lt;br /&gt;— Vai anda!&lt;br /&gt;— Bem... Ele a beija na testa. Pronto então&lt;br /&gt;— Não se faz de bobo. Ela se aproxima. Aqui. Ela aponta a boca. Eu quero aqui...&lt;br /&gt;— Samantha!&lt;br /&gt;O tio recua assustado. Anda alguns passos para trás, caindo depois de algumas passadas na parede dos fundos. Sua cabeça parece girar e ele tem vontade de gritar. A situação parece tê-lo feito entrar num mundo surreal, cujas regras ele desconhece&lt;br /&gt;— Assustado? Diz ela com a cabeça inclinada o olhando&lt;br /&gt;— O que você tem? Diz ele depois de um curto silêncio&lt;br /&gt;— Eu? Porque? Eu estou bem. Só quero beijar seus lábios, só isso titio. Ele sente certo sarcasmo em meio as palavras frívolas da garota&lt;br /&gt;— Samantha ouça o que diz! Ele já não sabe o que dizer e parece que seu desejo aumenta a cada palavra e ele sente o impulso bestial de agarra-la&lt;br /&gt;— Estou ouvindo e a mim soa normal. Uma menina que deseja um beijo e quem sabe algo mais... Ela enrola o cabelo, seus olhos estão repletos de luxúria&lt;br /&gt;— Samantha pelo amor de Deus. Suas mãos cobrem a cabeça abaixa agora. Ele não quer olha-la e agora somente deseja que sua mente apague a imagem de sua sobrinha nua&lt;br /&gt;Samantha está parada diante do tio sorrindo, em um silêncio atormentador. O tio parece fazer uma prece em voz baixa, esperando que quando abrir os olhos tudo tenha se resolvido. Um longo silêncio, tão longo que o tio não mais agüenta ficar de olhos fechados&lt;br /&gt;— Samantha... Ele abre os olhos devagar, jogando seu corpo contra a parede e fechando os olhos com força ao ver a visão de sua sobrinha nua a sua frente&lt;br /&gt;— Que foi titio não gostou?&lt;br /&gt;— Para samantha! Gritou seu tio desesperado&lt;br /&gt;— Parar com o que? Eu nem comecei&lt;br /&gt;O tio se pressionava contra a parede, abrindo os olhos esporadicamente. Samantha, com um olhar luxurioso se aproximava devagar, cantado uma antiga canção de roda.&lt;br /&gt;Seu tio então abre os olhos e estanca a imagem de Samantha parada a sua frente. Ela então se abaixa e beija de leve os lábios do tio, deitando no chão em seguida.&lt;br /&gt;— Vem titio. Seus dedos corriam o próprio corpo&lt;br /&gt;As mãos de Samantha pegavam nas mãos do tio e as levavam ao seu corpo. Seu tio tentava resistir, mas o impulso era muito forte. Ele desejou aquela garota por muito tempo e agora ele a teria, aquilo era quase irresistível. Ele tinha sonhado com aquela cena durante muitas noites, desejando vê-la assim, deitando o chamando de titio...&lt;br /&gt;— Vem titio, vem...&lt;br /&gt;— Menina safada!&lt;br /&gt;Seu tio joga-se em cima dela tirando as calças com fúria. seus lábios encontram os dela, beijando-a furioso. Os gritos e gemidos podiam ser ouvidos de longe, enquanto os dois transavam furiosos no chão da cozinha.&lt;br /&gt;Num suspiro final o corpo do tio cai por cima de sua sobrinha exausto.&lt;br /&gt;— Foi bom titio? Diz ela sarcástica&lt;br /&gt;— Meu Deus... Ele balbucia arrependido. O que eu fiz? Como pude?&lt;br /&gt;— Ai titio para de ser bobo. Diz ela saindo debaixo dele. Diz como se também não quisesse&lt;br /&gt;— Do que você está falando? Ele começa a se assustar com o cinismo da sobrinha&lt;br /&gt;— Você sempre me quis, me desejou com todas as suas forças, ou não?&lt;br /&gt;— Eu...&lt;br /&gt;— Não negue, você não pode, ou pode? Ela fala com uma voz cada vez mais sarcástica&lt;br /&gt;— Não... Ele balbucia vencido&lt;br /&gt;— Até fez um pacto com o diabo&lt;br /&gt;— Do que você está falando? Ele recua assustado&lt;br /&gt;— Gosta de se fazer de bobo né? Sua voz agora é mais arrogante e com um tom furiosos. Sabe do que eu falo&lt;br /&gt;— Não, não sei! Ele grita assustado, cada vez mais desesperado com aquilo&lt;br /&gt;— Ontem seu desgraçado! Deixa de se fazer de idiota! Ela agora grita, cada vez mais alto e cheia de ódio, num tom de quem cobra uma promessa&lt;br /&gt;— Eu não fiz nada! ele grita e se levanta, suspendendo sua roupa e se cobrindo desesperadamente rápido&lt;br /&gt;— Filho da puta! Covarde! Você me prometeu a alma em troca de uma transa com sua sobrinha! Sua voz parece ter ficado mais grave e mais furiosa, seu rosto se transfigura num semblante sombrio horrendo e tétrico&lt;br /&gt;— Para Samantha! O que está fazendo! Para agora, eu to mandando! Seus gritos são vacilantes e o medo começa a lhe congelar o sangue nas veias&lt;br /&gt;— Gritou para todos ouvirem. Gritou feito um louco! “Eu quero possuir minha sobrinha e só o que eu quero, depois o diabo pode até ficar com minha alma imunda, eu não ligo, dou-lhe a alma em troca de uma transa...”&lt;br /&gt;— Com minha sobrinha... Completou o tio caindo no chão atônito.&lt;br /&gt;— Isso, muito bem. Ela bate palmas, agora já de pé e vestida. Sua voz já não é mais a de Samantha e seu rosto está transfigurado numa figura que lembra somente o rosto angelical de sua sobrinha.&lt;br /&gt;— Não...&lt;br /&gt;— Bem meu caro te dei o que queria, agora me dê o que eu quero. Disse ela calma e serena&lt;br /&gt;— Não, eu não quis...&lt;br /&gt;— Agora já é tarde. Devia ter mais cuidado com o que promete&lt;br /&gt;A voz da sobrinha ecoa pela sala. Seu tio então sente algo vindo dos pés, um frio insuportável, que logo toma conta de todo seu corpo. Sua respiração fica difícil e sua visão começa a embaçar. Ele luta para manter seus olhos abertos, focando-se na imagem de sua sobrinha que aos poucos começa a se transformar na figura de um homem de terno branco, que o olha sorrindo. Seu corpo então desfalece e seus olhos não mais se abrem&lt;br /&gt;— Seja bem vindo. Diz ele sarcástico&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A todos que passarem por aqui: A Irmandade das Sombras ainda Vive e creia; Você ainda vai Ouvir Falar Muito nela!!!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;LINX&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6912780667495412066?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/06/samantha.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEhXq6JLb7I/AAAAAAAAACg/UVsjwRXFThQ/s72-c/samantha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-193129777846913887</guid><pubDate>Mon, 02 Jun 2008 04:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-01T16:13:28.692-08:00</atom:updated><title>OLEO DE CÃO</title><description>&lt;a href="http://www.caleb-brett.pt/imagens/Oleos_usados.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Por Ambrose Bierce&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tradução: José Jaeger&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chamo-me Boffer Bings. Nasci de pais honestos, malgrado muito pobres. Meu pai era fabricante de óleo de cão, e minha mãe tinha, ao pé da igreja da vila, um pequeno gabinete, onde eliminava bebês indesejados. Já na minha infância aprendi os processos da indústria. Não apenas ajudava o meu pai procurando os cães para seu caldeirão, como também minha mãe me encarregava freqüentemente da missão de me desfazer dos despojos de seu trabalho no gabinete. Para me desincumbir desse mister, às vezes precisei de toda minha natural inteligência, posto que todos os agentes da lei da vizinhança se opunham aos negócios de minha mãe. O assunto não tinha injunções políticas, já que os agentes não haviam sido eleitos pela oposição: simplesmente faziam-no por fazer.&lt;br /&gt;Naturalmente, o trabalho de meu pai era menos impopular, embora os proprietários dos cães desaparecidos o olhassem às vezes com desconfiança, o que, por extensão, se refletia em mim. Como sócios, à escondida, tinha meu pai os farmacêuticos da cidade, que quase nunca aviavam uma receita sem que nela constasse ao que eles designavam “Ol. can.”, o remédio mais valioso que já se houvera descoberto. Mas a maioria das pessoas não está disposta a fazer sacrifícios pessoais pelos afligidos, e era evidente que muitos dos cachorros mais gordos da cidade eram proibidos de brincar comigo. Isto feriu a minha sensibilidade juvenil e certa feita dirigiram-se a mim para fazer-me de pirata.&lt;br /&gt;Lembrando-me daqueles dias, não posso, às vezes, evitar o arrependimento, pois, levando indiretamente os meus pais à morte, fui o autor dos infortúnios que profundamente afetaram o meu futuro.&lt;br /&gt;Certa noite, quando vinha do gabinete de minha mãe com um exposto, vi passar, à frente da fábrica de azeite de meu pai, um guarda que parecia observar atentamente os meus movimentos. Embora bastante jovem, eu já aprendera que os guardas só acorriam aos fatos mais repreensíveis, de molde que dele me esquivei, enfiado-me na fábrica de azeite por uma porta lateral, que calhou de estar aberta. Travei a porta de uma vez e fiquei só com o meu morto. O meu pai já se recolhera. A única luz daquele lugar provinha do forno, que ardia intensamente sob um dos caldeirões, espalhando uma profunda luz e lançando reflexos rubros nas paredes. No caldeirão, o óleo estava em indolente ebulição, e, por conta de seu movimento, às vezes exibia pedaços de cachorro na superfície. Fiquei a esperar que o guarda se retirasse. Mantive no meu colo o corpo nu da criancinha e lhe acariciei ternamente o cabelo curto e sedoso. Ah, como era bela! Já naquela tenra idade eu gostava muitíssimo das criancinhas e, ao contemplar aquele anjinho, quase desejei que a pequena ferida vermelha de seu peito, obra de minha querida mãe, não fosse mortal.&lt;br /&gt;O que eu pretendia era jogar a criança ao rio, que a natureza sabiamente nos legara para tal fim, mas, naquela noite, com medo do guarda, não me atrevi a sair da fábrica de azeite. “Afinal – disse com os meus botões- , não acho que teria importância se eu vier a entorná-la no caldeirão. O meu pai nunca irá distinguir os seus ossos dos ossos de um cachorro. E as poucas mortes que poderão advir da administração de outro tipo de azeite no lugar do incomparável 'Ol. can.' não serão percebidas em uma população que cresce tão rapidamente". Em suma, dei o meu primeiro passo para o crime e entornei a criança no caldeirão com indescritível tristeza.&lt;br /&gt;No dia seguinte, para minha surpresa, meu pai, a esfregar as mãos de satisfação, informou a mim e à minha mãe que obtivera o óleo de qualidade nunca vista, e que este era o parecer dos médicos aos quais levara amostras. Argüiu que não tinha idéia de como lograra tal resultado, pois tratara os cães como sempre o fizera, em todos os aspectos, e eram eles da raça habitual. Considerei que era o meu dever lhes ofertar uma explicação e, notem bem, teria certamente contido o ímpeto de minha língua se pudesse prever as conseqüências. Os meus pais, lamentando olvidar as vantagens de combinar os seus afazeres, adotaram medidas para reparar o equívoco. Minha mãe mudou o seu gabinete para uma ala do edifício da fábrica e as minhas tarefas com relação ao ofício cessaram. Já não mais precisavam de mim para que me desfizesse dos pequenos supérfluos e não remanescia a necessidade de atrair os cães à condenação, pois o meu pai renunciou completamente a eles, embora ainda ocupassem o honroso nome no azeite. Assim, subitamente ocioso, poder-se-ia esperar que eu me tornasse uma pessoa viciosa e dissoluta, mas não foi isso o que aconteceu. A influência benéfica de minha mãe seguiu protegendo-me das tentações que assediam a juventude, e, além disso, meu pai era diácono de uma igreja. Mas, por culpa minha, estas estimáveis pessoas iam ter um fim tão funesto!.&lt;br /&gt;Ao experimentar um proveito duplo com os seus negócios, minha mãe se entregou ao mister com uma assiduidade nunca dantes vista. Não apenas se desfazia dos indesejados que lhe eram entregues, como acorria às ruas e becos à procura de criancinhas maiores e mesmo adultos que lograva atrair à fábrica. Também meu pai, amante daquele óleo de melhor qualidade, fornia os seu caldeirões com zelo e diligência. Em síntese: a conversão de meus vizinhos em óleo de cão tornou-se a única paixão de suas vidas. Uma avidez absorvente e portentosa invadiu suas almas e ocupou o lugar da esperança que tinham de alcançar o paraíso, que, por outra parte, também os inspirava.&lt;br /&gt;E se atiraram tão vivamente à empresa que os cidadãos reuniram uma assembléia pública, na qual adotaram resoluções que os censuravam severamente. O presidente deu a entender que os ataques sucessivos contra a população eram recebidos com hostilidade. Meus pobres pais abandonaram a assembléia com o coração partido, desesperados e com as mentes perturbadas. Considerei prudente, de toda forma, não entrar com eles na fábrica de óleo naquela noite e fui dormir lá fora, num estábulo.&lt;br /&gt;À meia-noite, um misterioso impulso ordenou que eu me levantasse e espreitasse por uma fresta do quarto do forno, onde eu sabia que meu pai dormia. O lume ardia vivamente, como se esperasse por uma colheita abundante no dia seguinte. Um dos enormes caldeirões fervia devagar, dotado de um misterioso aspecto de contenção, como se aguardasse o momento de envidar toda as suas energias. Mas meu pai não estava na cama. Levantara-se e estava de roupas de dormir. Fazia um nó corrediço numa corda vigorosa. Pelos olhares que dirigia à porta do quarto de minha mãe, deduzi perfeitamente o propósito que lhe ia na mente. Imobilizado e mudo pelo terror, nada pude fazer para contê-lo. Subitamente, a porta do quarto de minha mãe se abriu sem fazer ruído e eles se defrontaram, ambos surpreendidos com a presença do outro. Ela também estava de camisola, e levava, na mão direita, a sua ferramenta de trabalho: uma longa adaga de folha estreita.&lt;br /&gt;Minha mãe foi, igualmente, incapaz de abdicar à única escolha que a minha ausência e a atitude hostil dos cidadãos a deixaram. Por instantes, eles contemplaram mutuamente os olhos acesos e, então, lançaram-se com indescritível fúria um contra o outro. Como demônios, lutaram pelo cômodo todo. Meu pai maldizia. Minha mãe gritava. Ela tentava cravar-lhe a adaga. Ele forçava por estrangulá-la com as grandes mãos nuas. Não sei por quanto tempo tive a desgraça de observar este desagradável momento de infelicidade doméstica, mas, enfim, depois de um esforço mais vigoroso que o ordinário, os adversários subitamente se separaram.&lt;br /&gt;O peito de meu pai e a arma de minha mãe exibiam sinais de contato. Por instantes, olharam-se da forma mais hostil. Então meu pobre e ferido pai, sentido sobre si a mão da morte, saltou à frente e, fazendo pouco da resistência que a minha mãe oferecia, tomou-a nos braços, conduzindo-a ao caldeirão fervente. E, reunindo as suas últimas forças, fê-la nele mergulhar. Em um momento, ambos tinham desaparecido e adicionavam seu óleo àquele do comitê dos cidadãos que os haviam convocado, no dia anterior, à reunião pública.&lt;br /&gt;Convencido que estes funestos acontecimento obstruíam todos os caminhos para uma honrável carreira naquela cidade, abandonei a famosa vila de Otumwee, onde escrevi estras memórias com o coração repleto de remorosos por um ato tão imprudente e que envolve um deveras catastrófico desastre comercial. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-193129777846913887?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/06/oleo-de-co-ambrose-bierce.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-4527307428947770564</guid><pubDate>Mon, 02 Jun 2008 04:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-01T21:45:34.525-07:00</atom:updated><title>A CASA DAS ALMAS - LUIZ POLETO</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEN6V6JLb6I/AAAAAAAAACY/42jyuqqtQ7Y/s1600-h/casadasalmas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207140110974021538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEN6V6JLb6I/AAAAAAAAACY/42jyuqqtQ7Y/s320/casadasalmas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A CASA DAS ALMAS&lt;br /&gt;- Para Leonardo Nunes Nunes, Paulo Soriano e Henry Evaristo.&lt;br /&gt;Ninguém sabe ao certo quando ela foi construída, mas todos sabem que foi desativada sob estranhas circunstâncias até hoje não explicadas de forma convincente. Mas, independente disso, lá está ela, sozinha em meio ao campo, com apenas uma estreita estrada de terra, que no passado era o único caminho em meio ao ralo matagal que levava até o portão principal da Igreja de Tampadas.&lt;br /&gt;Tampadas é o nome do pequeno vilarejo localizado no interior do país; uma pequena cidade que ainda não tem luz elétrica, e quase não tem população também – muitos foram embora após o fechamento da igreja; e os que ainda vivem por lá, não chegam perto da pequena igreja de ar sombrio e desolado.&lt;br /&gt;Embora a população local evite a igreja, o aviso de não aproximação faz parte da tradição oral daquele povo, e os forasteiros que porventura passam por ali não tem conhecimento da história daquela igreja – muitos nem ao menos tomam conhecimento de que há uma igreja. Dizem que os que por ali se aventuraram nunca mais foram vistos.&lt;br /&gt;Um dia, um desses viajantes chegou até o pequeno vilarejo caminhando. Carregava apenas uma mochila de viagem e uma máquina fotográfica pendurada no pescoço. Chegou até o único bar existente, bebeu um refrigerante com tamanha sede que parecia que não bebia nada há dias; quando terminou, puxou conversa com algumas pessoas que estavam por ali, fazendo perguntas sobre o vilarejo, modo de vida, e outras coisas sem muita relevância. Depois de ouvir as respostas, disse que estava de férias, e estava fazendo um passeio pelo Brasil, visitando apenas as pequenas cidades e os vilarejos do interior, tirando fotos e escrevendo um diário.&lt;br /&gt;Após duas ou três horas de conversa e muitas fotos, pagou a bebida e saiu. Quando estava na estrada de saída do vilarejo, viu uma estreita estrada de terra, já coberta pelo mato alto que crescia à sua volta e quase escondia sua entrada. Sem ninguém por perto, o estranho resolveu percorrer aquela estrada, curioso para saber aonde ela iria dar, já que as casas e o pequeno comércio do vilarejo encontravam-se concentrados na extremidade sul. Com muita dificuldade, caminhou por cerca de dez minutos, até sair em um campo aberto, cercado por algumas árvores que pareciam tão velhas quanto a própria humanidade. Algumas com troncos retorcidos, outras com troncos que pareciam terem sido queimados; mas todas as árvores tinham em comum o fato de não terem folhas.&lt;br /&gt;Observando ao redor, pôde perceber, a alguns metros à frente da estrada, uma pilastra de pedra com quatro ou cinco metros de altura que servia de pedestal a um anjo de mármore que um dia fora branco, mas agora estava tomado pelo terra e pelas marcas da chuva e do tempo. Havia algo na expressão do anjo - que olhava para cima - que o deixou triste e com um sentimento angustiante de solidão. Chegou a pensar que o anjo começou a chorar quando olhou para ele.&lt;br /&gt;Alguns metros adiante viu uma igreja, com um aspecto sombrio e de abandono. Suas paredes, de pedra, já mostravam o quanto o tempo pode ser cruel; a entrada principal consistia-se de uma porta dupla de madeira pintada de azul, já descascada e bem deteriorada. Duas pequenas janelas pairavam como olhos atentos em cada lado da porta. Estendendo-se verticalmente acima do telhado havia uma torre, aonde se podia ver o grande sino de bronze totalmente imóvel, como se estivesse em seu repouso eterno. Chegando perto, percebeu que o portão principal estava fechado, e não parecia haver ninguém por perto. Ao forçar um pouco a porta, esta se abriu, dando passagem para o salão principal.&lt;br /&gt;A única iluminação dentro da igreja era proveniente dos raios de sol que passavam pelas pequenas janelas – sem vidros – nas paredes laterais. Marcas de água que há muito correram por ali indicavam um problema no telhado, e tornavam as paredes um pouco melancólicas. Os bancos de madeira já estavam quase ou totalmente consumidos pelos cupins. Encantado com a beleza sinistra do lugar, o estranho tirou diversas fotos, e dirigiu-se ao que parecia ser a sacristia, no final de um dos corredores.&lt;br /&gt;Quando o estranho passou pela porta, um ar de curiosidade e espanto tomou conta do seu outrora estado de empolgação. A sala, que devia ter por volta de quinze metros quadrados, tinha todas as quatro paredes do recinto cobertas por fotografias antigas, todas com um tom de sépia, emolduradas em belas molduras – todas feitas artesanalmente – e embora aparentassem estar ali há muito tempo, ainda mantinham um bom estado de conservação. Do chão ao teto, tudo estava coberto por fotografias. Todas as fotos eram de famílias, embora não houvesse qualquer texto que identificasse as fotos.&lt;br /&gt;Por vários minutos o estranho ficou ali, olhando as fotos, apreciando aquele ar nostálgico, admirando aquela estranha tristeza implícita no rosto das pessoas – que, curiosamente, não sorriam nas fotos. Algumas fotos aparentavam ser da década de 20, outras de 30, mas certamente nenhuma delas era de depois da década de 40.&lt;br /&gt;Depois de olhar rapidamente as várias fotografias, acabou parando em uma – que talvez tenha sido escolhida aleatoriamente, ou apenas tenha chamado a sua atenção por algum motivo qualquer. Na foto, uma família de nove pessoas posava de forma quase mecânica. Como que estudando a foto, o estranho ficou ali, por vários minutos, analisando cada detalhe da foto. Com os olhos cheios d’água e um sentimento de vazio, proferiu um palavrão ao mesmo tempo que saltava para trás, quando percebeu que uma das crianças da foto começou a chorar. Ele coçou os olhos, achando estar vendo coisas, e sacudiu a cabeça, mas percebeu que não só a criança chorava como as outras pessoas da família gritavam em extrema agonia, com a dor estampada em seus rostos; ao mesmo tempo, pareciam desesperadas para sair da foto.&lt;br /&gt;Ainda atordoado pela visão que acabara de ter, olhou ao redor e percebeu que em todas as fotos a cena se repetia: todas as pessoas gritavam, choravam, e tentavam desesperadamente sair de suas pequenas prisões particulares. O som misturado de choro de crianças e adultos, com os gritos de agonia eram como uma faca que atravessava seu cérebro. Naquele momento, ajoelhou-se tapando o máximo que pôde os ouvidos e fechou os olhos. Em seu interior, parecia estar sofrendo como aquelas pessoas. Chorou, como se estivesse também preso em uma moldura feita artesanalmente.&lt;br /&gt;Algum tempo depois – ele não podia mensurar se foram minutos ou horas – levantou-se, mas ainda sentia o desespero das pessoas ao seu redor. Eram pessoas, não eram? Ou eram apenas suas almas aprisionadas para toda a eternidade em uma foto – ou o que parecia ser uma foto?&lt;br /&gt;Não suportando mais a agonia de estar confinado naquela pequena sala, correu, dirigindo-se à porta pela qual entrara, mas só teve tempo de virar-se para perceber que não havia qualquer porta ali; todas as quatro paredes estavam cobertas de fotografias, e não havia portas ou janelas por onde sair. Gritando, atirou-se desesperado contra as paredes, tentando, inutilmente, encontrar uma forma de sair daquele lugar. Com bruscos movimentos, arremessou as fotos para longe das paredes, mas, a cada porta-retrato que caía, um novo surgia em seu lugar, e mais e mais pessoas gritando, chorando, em uma grande sinfonia desafinada.&lt;br /&gt;Sem qualquer esperança de sair daquele lugar misterioso, após muito gritar e chorar, percebeu que em uma das paredes havia uma moldura com uma foto em que não havia ninguém, apenas um quarto. Analisou aquele estranho objeto mais de perto, ao mesmo tempo que tentava entender o que se passava naquele lugar. Percebeu no quarto daquela foto alguma familiaridade, e, novamente, entrou em pânico: aquele quarto havia sido o seu quarto quando criança. A mesma cama, o mesmo tapete em forma de palhaço, a mesma janela próxima da cama. Naquele momento, o pânico foi tomado por uma saudade; saudade de tempos que nunca mais voltariam, e entendeu que o objetivo de qualquer fotografia era congelar um determinado momento no tempo; um momento que nunca mais será esquecido e ficará ali para sempre. Lembrou-se de quantos momentos desejara ter congelado no tempo.&lt;br /&gt;Fechou os olhos, e a sacristia foi tomada por um imenso clarão, uma intensa luz vermelha. Quando apagou, o quarto havia voltado ao seu estado anterior, a porta encontrava-se no mesmo lugar que estava quando o estranho a cruzou. O estranho, não entanto, não estava mais ali; agora, ele fazia parte daquele imenso mural nostálgico, e naquele momento, ele estava de volta ao quarto que fora seu quando tinha 3 anos de idade. Passaria toda a eternidade preso àquele lugar, e talvez um dia implorasse para sair dali, da mesma forma que todas as outras pessoas que também faziam parte daquele lugar.Luiz Poleto&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-4527307428947770564?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/06/casa-das-almas-luiz-poleto.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9hYCn5l0Ms/SEN6V6JLb6I/AAAAAAAAACY/42jyuqqtQ7Y/s72-c/casadasalmas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-35210217.post-6360511356412789144</guid><pubDate>Sun, 01 Jun 2008 15:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-01T08:34:37.459-07:00</atom:updated><title>O ÚLTIMO CAVALHEIRO DAS TREVAS</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Aqui vai, atrasado como sempre, o conto que fiz em comemoração ao primeiro aniversário da &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;IRMANDE DAS SOMBRAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Estava devendo esta postagem ao blog. Espero que gostem! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;___________________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O ÚLTIMO CAVALHEIRO DAS TREVAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Por Henry Evaristo &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Conto comemorativo ao primeiro aniversário da Irmandade das Sombras&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richmond não acreditava na possibilidade de que o morto pudesse retornar mas Harmony fora enfático: Ele retornaria após a leitura correta do “Im Reich Der Farbtöne” (1).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois estavam em uma das inúmeras salas escuras do castelo gótico do barão Von Sorian, na Moldávia. Ele havia sido o ultimo representante da Irmandade das Sombras e desaparecera misteriosamente no ano de 2057.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora Richmond e Harmony haviam localizado o local incrustado em meio às inóspitas e solitárias montanhas dos Cárpatos. Sem sombra de dúvidas aquele havia sido o lugar de reuniões do grupo de literatos mais perturbador de toda a história da literatura universal; produtores de obras que aterrorizaram o mundo e foram capazes de transformar o senso de horror a níveis globais. Houve muita perseguição à concepção artística da Irmandade; governos americanos e europeus tentaram a todo custo banir suas publicações mas o povo insistia em ler cada um dos novos trabalhos de seus membros.  Foram os discursos públicos e campanhas publicitárias cada vez mais agressivas, promovidas pelos governos dos países mais conservadores, que fizeram com que o grupo buscasse o isolamento nas montanhas. Um local escondido dos olhos de todos onde eles poderiam buscar inspiração e concentração total. E foi então que seus temas e suas produções encontraram um nível jamais imaginado nos anais das concepções de arte sombria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As publicações continuaram de forma clandestina, mas, ainda assim, chegando frequentemente ao alcance de seus leitores nas mais diversas linguas. E houve quem afirmasse, em lugares tão diversos do mundo quanto a África e a Suíça, que a leitura das obras dos escritores era prejudicial à saúde física e mental de quem lia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Richmond e Harmony, a duras penas e depois de vinte anos, obtiveram autorização do governo local para explorarem as ruínas do velho castelo. Foi entre as inúmeras salas, e em meio a extensas e mofadas estantes de livros, que eles encontraram a passagem para a sala secreta da Irmandade, conhecida como “A câmara dos Tormentos”; porém, daquele lugar escuro e úmido saíram durante o tempo em que os escritores ali permaneceram apenas os mais puros deleites sombrios que um leitor jamais sonhou em desfrutar. Não causavam tormentos ao corpo como queriam crer os puritanos do mundo. E na mente, o único mal que originaram talvez tenha sido a libertação dos afetados deste mundo apenas material oferecendo-lhes mergulhos profundos em vastos e encantados universos etéreos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que Richmond e Harmony queriam era encontrar o lendário corpo insepulto do ultimo representante do movimento. Os outros, todos eles, havia sido descobertos em ruínas abandonadas ao redor do mundo sempre mutilados de forma bastante sistemática. Os dois pesquisadores do insólito encontravam razões para crer que as partes extraídas dos cadáveres estariam naquele local, junto ao corpo do barão Von Sorian. Estes motivos eles cooptavam das leituras e da interpretação da obra máxima da Irmandade, o terrível livro escrito em conjunto por todo o grupo, “Im Reich Der Farbtöne”. Segundo o compêndio seria possível, através da execução de determinados rituais, manter eternamente acesa a chama da imaginação obscura do grupo. Mas, lendo atentamente, e de posse das traduções dos trechos escritos em aramaico, se poderia encontrar “um livro dentro do livro” e este era muito mais terrível. Harmony o lera, e seus cabelos haviam embranquecido do dia para a noite. Para Richmond, sempre menos curioso que o amigo, aquela era a suma confirmação de que o material era sim danoso ao corpo e a alma; todavia, como fã incondicional da obra da Irmandade, nunca se opôs em seguir o outro em sua empreitada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os rastros do barão haviam sido seguidos desde sua fonte original, no nordeste brasileiro, sendo elaborada uma detalhada reconstituição de sua trajetória entre a cidade de Salvador e as montanhas dos Cárpatos. Ele adquirira o castelo através do investimento de recursos próprios, muito provavelmente originários de espólios de família. Depois agrupara os irmãos em Londres e de lá partiram para sua ultima morada terrestre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, não se sabe como, seus livros de contos, romances e novelas terríficas apareciam nas bancas e livrarias sempre sem que nenhum funcionário desse conta de sua encomenda e compra. Depois que as atividades cessaram, e os primeiros corpos mutilados foram surgindo, o ultimo livro apareceu numa biblioteca de Amsterdam. Foi lá que Peer Harmony o viu pela primeira vez. Nele descobriu, lendo as entrelinhas, um plano sinistro. Sua casa, nos subúrbios, era repleta de livros de terror e ocultismo. Juntando informações de inúmeras fontes ele entendeu o propósito da obra e assumiu para si a missão implícita ao descobridor. Foi apenas um dia antes de chamar a sua casa o amigo Albertus Richmond que ele terminou a tradução da ultima parte do rito principal. Era uma cerimônia de ressurreição. E dizia que seria dado o poder de dar continuidade à obra da Irmandade das Sombras àquele que, encontrando o cadáver do ultimo cavaleiro das trevas, o reerguesse da morte. As páginas finais do grimório continham todo o planejamento e prática da missa a ser realizada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia 06/06/2076, dezenove anos depois do desaparecimento da Irmandade das sombras, Richmond e Harmony estavam no interior do castelo abandonado para trazê-la de volta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não havia o que questionar: O corpo encarquilhado e escuro que jazia em uma pedra de frio mármore negro era de fato o do barão Von Sorian; Porém, ele não era de forma nenhuma apenas isso. Seus membros não eram apenas aqueles com os quais viera ao mundo originalmente; eles estavam misturados, com costuras grossas e malfeitas, aos pedaços retirados dos cadáveres dos outros irmãos das sombras. Suas pernas não eram apenas suas pernas; eram também as de Lord Linx e Lord Henry. Seus olhos não eram apenas os seus olhos, mas também os de Lady Celly e Lady Hell. Todo o seu corpo era um imenso retalho, tal qual um Frankenstein ainda mais horrendo, que agregava as partes de todos os outros membros. Viam-se aqui partes das mãos de Lord Roger Silver misturadas com as unhas de Sir Luciano Barreto e os dedos de lady Mauren Müller; ali, a pele de Lady Catherine costurada aos cabelos de Sir Luiz Poleto e Dom Alexandre Nunes. Via-se na abominação híbrida, um rosto magnânimo: Numa metade era o do próprio Barão; na outra, o da condessa Victoria Magna.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A visão estarrecedora derrubou o livro das mãos de Richmond à primeira vez que ele a avistara de sob a cortina de poeira que se erguera quando a passagem por trás da estante fora aberta. Depois, como ocorre com um odor nefando, ele acostumou-se e não mais sentiu os nervos abalados. Ou curara-se ou não tinha mais nervos. De qualquer forma tinha que se controlar; os planos de Harmony iam muito mais além.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi numa sexta-feira que o ritual foi realizado. Uma descrição detalhada de todo o ocorrido seria deveras traumática para o leitor. Opto por partir do ponto em que tudo se tornou tão palpável quanto as pedras das paredes bolorentas do castelo Von Sorian. Tudo o que era necessário à manobra mágica se encontrava na própria câmara secreta. Os autores haviam cuidado de tudo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às seis da tarde, quando o sol escoava seus últimos raios avermelhados por entre os picos cobertos por neves eternas dos Cárpatos, Richmond e Harmony iniciaram a missa da ressurreição. Após a consagração dos pontos cardeais aos espíritos da terra, depois que os signos mágicos haviam sido traçados, leu-se a conjuração principal:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Per Adonai Eloim, Adonai Jeovah!Adonai Sabbaoth, Metrathon ou Aglamethon!Verbum Pythonicum, mysterlum salamandrae,Cenventus sylvorum, antra gnomorum, daemonia coelli god.Almosin, Gibor,Jehosua, Evam, Zariathnatmik!Veni, Veni, VeniEgo te provoco!Ego te provoco!In domine meum!VeniVeniVeni!” (2)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foram as velas que se apagaram sem que houvesse vento algum, depois as dobradiças das portas estalaram sem que ninguém as manipulasse. Os livros das estantes, então, saltaram de seus lugares e, espalhados no chão, se abriam e fechavam sozinhos. Lá fora, a noite provinha o ar de sons lamentosos; de gemidos de um quase prazer bestial. Eram como o frenesi de uma multidão cujas vozes se espalhavam pelas florestas e montanhas geladas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No interior da Câmara dos Tormentos, Richmond e Harmony presenciaram o ressurgir do mito. O nascimento de uma nova era livre. De súbito, a coisa em cima da pedra negra abriu os olhos. E seu corpo foi percorrido por violentos espasmos. No ambiente espalhou-se um forte odor de raiz de mandrágora em meio a densa fumaça azul esverdeada e ouviu-se o som de ossos se partindo quando o ressurrecto tentou se erguer. E ele, o último cavalheiro das trevas, olhando no fundo das almas de seus renovadores, falou, e sua voz era a de todos os irmãos juntos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Tu lestes bem nossos ensinamentos!” E enquanto falava se dirigia a Harmony. Depois, encarando com seu rosto retorcido a massa trêmula em que se tornara Albertus Richmond, disse: “Tu, não temas! Não há razão para os teus  temores!”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E continuou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Temo eu, pois esta algazarra que vem lá de fora me perturba deveras. O que são, pois, estes gritos, estes risos, estas exclamações?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste momento o pior medo, o horror mais desmesurado, se apossou do coração de Richmond. Não havia meios de prever a reação do ressurrecto à segunda parte do trabalho de Harmony. O que fizeram era para toda a humanidade, mas não se poderia saber se a coisa iria aprovar. Assim, a única ação cabível aos dois mortais mais completamente tomados pelo poder da literatura das sombras, era abrir de uma vez a enorme janela que dava para a paisagem fria do lado de fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Num pulo, correram a destrancar e retirar as travas que haviam mantido no escuro aquele quarto por mais de vinte anos. Em menos de trinta segundos as duas partes pesadas do janelão se abriram deixando entrar uma rajada de vento frio que espanou para o ar toda a poeira de muitos e muitos anos. Junto com o vento o som dos gritos de êxtase invadiu os cantos do velho castelo e a coisa que era toda a Irmandade das Sombras levantou-se de seu leito de mármore. Seus velhos ossos estalavam depois de décadas de inércia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E os sons continuaram pela noite. Repercutindo pelos vales e bosques ao luar. Era um som portentoso, nítido, próximo. Quando o ressurecto alcançou a sacada, a visão que teve o encheu do mais puro e indescritível deleite. Lá, cobrindo toda a extensão visível da terra, mergulhando em direção ao horizonte escuro como um enxame pululante interminável, estavam milhões de pessoas. E elas traziam consigo artefatos luminosos que brilhavam na escuridão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A coisa que era a Irmandade virou-se para Richmond e Harmony mas não precisou falar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eis aí, mestre! Teus fãs de todo o mundo que vieram celebrar este vosso renascimento. Eu mesmo, e meu amigo, chamamos e convencemos cada um deles a estar aqui nesta noite. Eles são milhões, e o início do teu reino!” Disse Harmony e seus olhos estavam cheios de lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vê Mestre!” Disse Richmond vencendo o medo em face da emoção. “Cada um trás papel e caneta. Eles querem ouvir o início da nova estória! Fala a eles!” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então a Irmandade das Sombras avançou mais para fora da janela até um ponto em que já quase se debruçava para o ar. E do umbral ouviu e viu a maior ovação que as forças do mundo já testemunharam. Com um sorriso no rosto ergueu os braços e, depois que a multidão fez silêncio, começou a escrita de uma nova era.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;__________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(1) - “Im Reich Der Farbtöne” = No Reino Das Sombras (N. do E.)&lt;br /&gt;(2) - Ritual de invocação retirado do livro "O caso de Charles Dexter Ward" de Howard Phillips Lovecraft que por sua vez o adaptou ao seu conto extraindo-o da obra "Dogma e ritual da alta magia" do ocultista francês Elifas Levi.   (N. do E.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                       &lt;br /&gt;                                 ****************&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esta é minha singela homenagem para o dia do aniversário deste grupo do qual tenho a honra de participar. Agradeço por todos vocês terem um dia entrado em minha vida, ainda que virtualmente.Alguns membros não foram citados formalmente por este texto mas isso não diminui, de forma nenhuma, sua importância perante o grupo. Todos, como foi visto, somos um só!&lt;/em&gt;                                                                         &lt;br /&gt;                                                        Henry Evaristo – 21/09/2006&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35210217-6360511356412789144?l=recantodassombras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://recantodassombras.blogspot.com/2008/06/o-ltimo-cavalheiro-das-trevas.html</link><author>irmandadedassombras@hotmail.com (Irmandade das Sombras)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item></channel></rss>